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Treinando os treinadores

Em uma conversa essa semana com os amigos, estávamos relembrando a época em que cheguei aqui na região. Havia certa expectativa pelo fato de um Gestor em Eqüinocultura estar se mudando e atuando e isso deu uma injetada de animo no mercado eqüestre das redondezas. Porém com isso veio também o peso da responsabilidade de fazer um serviço profissional e bem feito.

Lembro-me bem minhas primeiras conversas com os, até então, considerados melhores treinadores da região. Em minha opinião, quanto maior o número de concorrentes, melhor o nível da tropa e das provas, estando ai então o motivo deu procurar esses profissionais do cavalo que atuam no mesmo espaço que eu.

Fui visitar um desses cavaleiros, que já havia escutado falar de mim e com toda sua boa vontade veio me mostrar o seu serviço. Nos cumprimentados e fui direto ao assunto lhe perguntando se ele era treinador. A resposta foi um “SOU”, desse de encher o peito de ar para pronunciar com firmeza a palavra. Soltei outra pergunta, dessa vez foi para quais modalidades ou para qual utilidade ele treinava os animais. A resposta me surpreendeu: “Para qualquer coisa que o Patrão me pedir”. Pensei na hora: “Estou na frente do melhor ou do pior treinador da região”. E nisso a conversa foi rolando. Quando chegamos no assunto dos cursos, meu companheiro de serviço só tinha feito um, de Casqueamento e Ferrageamento, feito pelo SENAR, não desmerecendo em hipótese nenhuma essa renomada e respeitada instituição.

Chegou o grande momento de ver aquele sujeito trabalhando. Na hora nosso senso critico e observador fica mais aguçado e comecei a observar atentamente os equipamentos, a sua postura e para minha surpresa maior, ele não usa e condena o uso do bridão como embocadura inicial. Tudo bem, respeito o serviço de qualquer um, mas seu argumento que dizia que o bridão deixava os animais “preguiçosos de boca”, não me convenceu. Os sentidos de direção de direita e esquerda eram feitos com brutalidade no sistema “quebra para lá e para cá” com o auxilio de um barranco na frente do cavalo. Graças a Deus, terminado aquela apresentação o pobre coitado do animal ainda ganhou umas varadas para poder ficar “quente”. Passado todo o “treinamento”, ele veio e me perguntou o que eu achei daquilo tudo. Como não consigo ser falso e nem menti e tenho que tomar muito cuidado com isso, fui salvo por um estagiário, acreditem se quiser, ele tem estagiários, que entrou com outro assunto me livrando daquela situação delicada. Finalizando minha visita a esse treinador percebi que nem sobre modalidades eqüestres ele sabia, pois teve a audácia de me perguntar se nas provas de tambor o animal tinha que saltar o tambor em pé ou ele deitado, e no começo da visita, ele havia me mostrado três potros QM, que seriam iniciados e treinados para tambor.

Tirando a dó que fiquei dos animais lá hospedados, me senti mais tranqüilo em saber que era contra aquilo que eu tinha acabado de presenciar que eu dividiria o mercado. Para não ser injusto, reconheço que o cavaleiro tem coragem e que as instalações onde os cavalos estavam hospedados e onde esses animais são treinados, são boas.

Mas qual o objetivo disso tudo? Pelo o que eu tenho observado, o mercado está cheio de “treinadores” nesse perfil que presenciei. A maioria deles tem coragem de ficar em cima de uma sela o dia inteiro, ganham dinheiro com isso e acham que “fazem” ou treinam cavalos. Para ser um treinador, não adianta ter só vontade e pensar no dinheiro. Tem que gostar do que faz. Tem que viver o que faz. Tem que pensar primeiro nos animais, pois todo o resto como o reconhecimento, o dinheiro é conseqüência de um trabalho bem feito. E não é pouco trabalho não. Diria ate que existem algumas características que o ser humano treinador de cavalos precisa ter, como exemplo, a paciência, a empatia, o pulso firme e acima de tudo, humildade. Não adianta querer ser tudo e fazer de tudo, pois dessa forma estará querendo abraçar o mundo com a perna. Um conselho que eu dou para quem já é ou para quem quer ser um treinador é de estar sempre buscando novos conhecimentos. Sejam novos cursos, novos estágios, pois uma boa teoria aliada a uma boa pratica são as chaves da porta do seu sucesso.

Quanto aos proprietários de cavalos que deixam seus animais com treinadores a minha dica é procurar conhecer bem o trabalho de quem está com seu eqüídeo nas mãos. Procurem também referências válidas e positivas desse profissional. Se possível vejam algum animal já trabalhado por aquele treinador. Leiam, assistam vídeos, façam cursos sobre o serviço que está sendo feito com o seu animal pois dessa forma você tem mais poder de argumentação e pode acompanhar o progresso ou não de seu cavalo, pois o mercado está cheio de “Treinadores Patos”. Eles voam, andam e nadam, mas nenhuma dessas três atividades fazem direito...


Escrito por: Tarcio Agostini

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