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Equoterapia : Por que o uso do cavalo?

A palavra EQUOTERAPIA foi criada pela ANDE-BRASIL, para caracterizar todas as práticas que utilizem o cavalo com técnicas de equitação e atividades eqüestres, objetivando a reabilitação e/ou educação de pessoas com deficiência ou com necessidades especiais. Foi criada com três intenções:

- a primeira, homenagear a nossa língua mãe - o latim - adotando o radical EQUO que vem de EQUUS;

- a segunda, homenagear o pai da medicina ocidental, o grego HIPÓCRATES de Loo (458 a 377 a.C.), que no seu livro "DAS DIETAS" já aconselhava a prática eqüestre para regenerar a saúde, preservar o corpo humano de muitas doenças e no tratamento de insônia e encionava que a prática eqüestre, ao ar livre, faz com que os cavaleiros melhorem seu tônus. Por isso, adotou-se TERAPIA que vem do grego THERAPEIA, parte da medicina que trata da aplicação de conhecimento técnico-científico no campo da reabilitação e reeducação;

- a terceira foi estratégica: quem utilizasse a palavra EQUOTERAPIA, totalmente desconhecida até então, estaria engajado nos princípios e normas fundamentais que norteiam esta prática no Brasil, o que facilitaria o reconhecimento do método terapêutico pelos órgãos competentes.

No entanto é no EQUUS que se foca o Método . O cavalo na equoterapia é utilizado como instrumento cinesioterapêutico ( pelo efeito do movimento tridimensional do dorso do cavalo, somado as multidirecionais e ao ritmo do seu passo), instrumento pedagógico e de inserção social.

Quando o cavalo se desloca ao passo, ocorre o movimento tridimensional do seu dorso; portanto, há deslocamentos segundo os três eixos conhecidos (x, y, z), ou seja, para cima e para baixo, para frente e para trás, para um lado e para outro. Tal movimento é transmitido ao cavaleiro pelo contato de seu corpo com o do animal, gerando movimentos mais complexos de rotação e translação

Esse andar tridimensional corresponde ao andar do humano com menos 5% de diferença.

Para se ter uma idéia, o passo completo do cavalo apresenta padrões semelhantes aos do caminhar humano: impõe deslocamentos na cintura pélvica da ordem de 5 cm nos planos sargital, frontal e transversal e uma rotação de 8 graus de um lado para outro.

Quando o cavalo inicia seu movimento, ao passo, o praticante recebe estímulos proprioceptivos de estruturas articulares, musculares, e tendinosos devido o movimento tridimencional do dorso do cavalo, como dito acima.

O deslocamento do cavalo promove estímulos nestas estruturas (propriocepção) em torno de 180 oscilações por minuto. Essas informações são enviadas ao sistema nervoso central via medula espinhal. Somada a isto, são também enviadas ao sistema nervoso central por vias aferentes, informações exteroceptivas (auditivas,visuais, olfativas, táteis e térmica) e labirínticas que dão informações sobre a posição do corpo no espaço, ou seja, no ambiente.

Estas informações, no SNC, são planejadas, coordenadas,executadas por estruturas neurais como cerebelo, gânglios da base, área pré-otora, motora suplementar e área motora primária. Através de vias eferentes como o sistema piramidal ocorre a resposta motora que resultam em ajustes tônicos para a manutenção da postura, aprimoramento do esquema corporal e reações de endireitamento. Assim, ocorre adaptação ao ritmo do cavalo.

Durante uma sessão de equoterapia de 30 minutos o cavalo promove no praticante 1800 à 2250 ajustes tônicos.

Biomecânica do cavalo em Equoterapia

O Movimento Tridimensional requer do praticante reações de equilíbrio e de retificação postural para que possa se manter sobre ele. Esse movimento é transmitido ao cérebro do praticante pelas inúmeras terminações nervosas aferentes. O cérebro, por sua vez, manda informações ao corpo para que novos ajustes motores sejam realizados por meio do comportamento adaptativo, que é resultante também dos estímulos sensoriais da Equoterapia.

Movimento no plano horizontal

Nesta movimentação a anca do animal é projetada para frente, promovendo uma flexão lateral da coluna do animal. O cavalo executa uma inflexão para o lado contrário com seu pescoço, mantendo a parte da coluna que fica sobre suas espáduas (anteriores), solidária com a coluna. Isto provoca uma inflexão da coluna, tornando-a um arco em torno do posterior que está para frente e desloca o ventre do cavalo para o lado oposto.
Assim, conforme as mudanças de passos, como por exemplo, o cavalo coloca o membro posterior direito (PD) à frente, ocorrerá um deslocamento da coluna vertebral para o lado esquerdo.

Eixo transversal (movimento látero-lateral)

Este movimento é produzido pelas ondulações horizontais da coluna vertebral do cavalo, que se estende desde a sua nuca até a extremidade da sua cauda. Estas ondulações são produzidas e executadas de maneira simétrica em relação ao eixo longitudinal do animal. O grau de flexibilidade do cavalo tem influência direta sobre sua andadura. Quanto maior for a flexibilidade da coluna, maior será a amplitude de seus movimentos, e mais suave será a sua andadura e quanto maior for a amplitude do movimento maior será o passo do cavalo e em conseqüência, maior será o deslocamento lateral do ventre .

Eixo longitudinal (movimento ântero-posterior)

Iniciando o movimento pela distensão do posterior direito, o cavalo provoca desequilíbrio, deslocando seu corpo para frente e para a esquerda. Para retomar seu equilíbrio, o cavalo alonga seu pescoço, abaixa a cabeça e avança o anterior esquerdo para escorar a massa que se desloca. E quando toca o solo com o anterior esquerdo, freia o movimento para frente, provocando um desequilíbrio também para frente, no praticante. Neste momento o cavalo levanta a cabeça e com este movimento detém o deslocamento do cavaleiro para frente, facilitando o avançar do posterior direito. A anca do lado direito avança e abaixa colocando-se em baixo do cavaleiro, sustentando o seu peso e trazendo-o novamente para trás, ajudando-o a retomar o equilíbrio. Na seqüência, o posterior esquerdo distende-se e empurra o cavalo para frente e para a direita. O movimento se sucede quando o anterior direito toca o solo, nova freada, novo desequilíbrio, e com o avançar do posterior direito, nova retomada do equilíbrio e conseqüentemente deslocamento para trás .

Movimento no plano vertical

Neste movimento percebe-se a ocorrência da elevação e rebaixamento do corpo do cavalo. Com a movimentação do animal, quando este abaixa o pescoço, a coluna vertebral será elevada, e quando o pescoço é elevado à coluna vertebral é rebaixada. Dessa forma, a movimentação longitudinal deverá ser acompanhada pelo praticante.

Assim, enquanto um membro posterior está se estendendo para impulsionar o animal para frente, o outro está se deslocando para frente a fim de sustentá-lo. Quando os membros posteriores estão nesta posição, o vértice do ângulo por eles formado, com a garupa do animal está em seu ponto mais baixo. Com a continuidade do movimento, o posterior que está a frente se estende e, com isso, eleva a garupa ao transpô-la sobre o seu ponto de apoio, depositando-a novamente à frente numa posição mais baixa. Este deslocamento se produz durante o movimento de cada um dos posteriores. Quanto mais para baixo do corpo o cavalo coloca o seu membro posterior, maior é o abaixamento da garupa, aumentando e acentuando o movimento vertical (comparação a uma roda denteada).

Rotação e Translação derivados do Movimento Tridimensional

O movimento tridimensional é transmitido ao cavaleiro pelo contato de seu corpo com o do animal, gerando movimentos mais complexos de rotação e translação .


Bibliografia

ANDE Brasil. Anais do primeiro Congresso de Equoterapia. Brasília, 1999.
__________. Primeiro Curso Básico de Equoterapia desenvolvido pela Associação Nacional de Equoterapia. São Paulo, 2002.
__________. Curso Básico de Equitação para Equoterapia. Brasília, 2007.
CIRILLO, Lélio de Castro. Reeducação pela equitação. In: ANEq – Associação Nacional de Equoterapia. Brasília, 1992.
LICART, C. Equitação Racional. Tradução de José Carnavo Filho. Força Pública do Estado de São Paulo, 1989.
MEDEIROS, M. Equoterapia – Noções Elementares e Aspectos Neurocientíficos. Rio de Janeiro: Livraria e Editora Revinter Ltda.2008

O Autor

Eduardo Colamarino Alvares da Silva , membro da Associação Nacional de Equoterapia ,membro da Confederação Brasileira de Hipismo como instrutor de equitação especial e adestramento adaptado , e coordenador técnico do Programa Equus de Equitação Especial .

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