Equinos App

1 2 3 4 5

Equoterapia : A Amplitude do passo e o Estimulo dos Sistemas Sensoriais

“O processo de estimulação vestibular se inicia com o fundamento da semelhança da marcha humana com o andar do cavalo .”

Uma vez montado no cavalo, o indivíduo está exposto aos movimentos deste, recebendo estímulos neuromotores, transmitidos pelo dorso do cavalo, estando este mantendo a andadura ao passo. A chave para se entender os efeitos dos três componentes dos movimentos do cavalo ao passo é necessário compreender-se o valor deles sobre o cavaleiro.

1º) As aceleração / desaceleração dos movimentos do cavalo influenciam inclinações anteriores e posteriores da pelve e do tronco do cavaleiro. Quando o cavalo realiza a fase acelerada do movimento do passo (levantando e movendo membro posterior para a frente), a pelve e o tronco do cavaleiro se deslocam, inclinando-se para trás e quando o cavalo firma o membro posterior no solo na fase de desaceleração, o
cavaleiro inclina a pelve e o tronco para a frente.

2º) No momento em que o cavalo realiza um movimento de rotação da anca ao trocar os membros posteriores, o cavaleiro realiza um movimento de flexão lateral da pelve.

3°) O terceiro movimento componente do passo ocorre quando o cavalo realiza a fase de elevação e deslocamento para a frente do membro posterior, o que provoca uma flexão do seu tronco. Este movimento produz rotação do tronco e da pelve do cavaleiro.

Estes movimentos do cavalo produzem no tronco e pelve do cavaleiro: rotação anterior da pelve, deslocamento para frente e flexão lateral, quando os membros do cavalo agem diretamente sobre ele ao se deslocarem.

Estes estímulos requerem ajustes musculares do tronco do homem, tendo como objetivo o controle da atividade muscular e manutenção do alinhamento postural mais adequado para cada praticante na postura terapêutica montado sobre o cavalo.

A variabilidade de exercícios terapêuticos utilizados durante uma sessão de Equoterapia inclui não só mudanças posturais, como também variação de velocidade do passo do cavalo, com passo lento ou rápido .

O desenvolvimento motor normal é caracterizado pelas aquisições nos sentidos crânio-caudais e próximo-distais, ou seja, iniciando o ganho do controle postural pela musculatura cervical, seguida de tronco e pelve.

O desenvolvimento próximo-distal se inicia pelas articulações mais próximas da linha média, para então as mais laterais. Segundo Kandel; Schwartz e Jessel (1997), os músculos axiais (tronco) e apendiculares (proximais) do homem são usados na manutenção do equilíbrio postural, enquanto os músculos distais são utilizados para atividades manipulatórias. A importância do controle postural e da manutenção do equilíbrio se dá pelo fato da necessidade destes para um bom desempenho nas atividades motoras finas, como preensão, alcance e escrita.

Assim, segundo Medeiros e Dias (2002), o ato motor baseia-se em duas atividades: a de sentir e perceber, e a de realizar movimentos.
Estimulando os três sistemas sensoriais (sistema vestibular, sistema visual e sistema proprioceptivo), a Equoterapia facilitará o aprendizado motor, levando a mudanças na organização e número das conexões neurais, chamado de plasticidade neuronal.

O sistema vestibular é estimulado a partir da movimentação da endolinfa. O aparelho vestibular é o órgão que detecta as sensações de equilíbrio, e é composto por um sistema de tubos e câmaras no labirinto ósseo. Dentro deste está o labirinto membranoso, que é composto pela cóclea, por três canais semicirculares e por duas grandes câmaras chamadas utrículo e sáculo, responsáveis pelo equilíbrio.

Os três canais semicirculares são sensíveis às acelerações angulares (rotações). O utrículo e sáculo são sensíveis às acelerações lineares (translações e a gravidade). A combinação dos dois sistemas assegura a percepção de todas as acelerações possíveis.

O processo de estimulação vestibular se inicia com o fundamento da semelhança da marcha humana com o andar do cavalo.

É através do conhecido movimento tridimensional que o cavalo promove no corpo do indivíduo montado sobre seu dorso, que a musculatura do tronco é ativada, de maneira a impedir a queda pelas oscilações constantes.Quando sobre o cavalo, o indivíduo está exposto a estas oscilações de maneira bem peculiar.

Partido do animal parado, e iniciando o seu deslocamento pela pata posterior direita, o membro seguinte a se deslocar será a pata anterior esquerda. Desta maneira, a pelve do cavaleiro recebe estes movimentos, desencadeando o processo de recrutamento muscular e ajuste tônico para evitar a queda. Portanto, é necessário que o praticante aumente o recrutamento muscular para manter-se sobre o cavalo.

A variação do passo no cavalo, velocidade, estimulação da direção e equilíbrio têm como resposta o deslocamento do centro de gravidade do paciente, facilitando na dinâmica da estabilização postural e restabelecimento da desordem motora .

O sistema nervoso central interpreta estes desequilíbrios como instabilidades posturais capazes de provocar queda, respondendo com aumento do tônus postural. Assim, os eretores da coluna são ativados como forma de manter suas reações de equilíbrio. As reações de equilíbrio servem para ajustar a postura, manter e recuperar o equilíbrio antes, durante e depois do deslocamento do seu centro de gravidade.

No entanto , para se obter melhor resposta no tônus muscular do praticante, a escolha adequada do animal, ou seja, a freqüência do passo, é de suma importância para se obterem as respostas posturais adequadas para cada praticante.

O animal que apresentar um número maior de passadas por minuto irá ativar os receptores proprioceptivos intrafusais, que só respondem a estímulos rápidos, como também os receptores articulares que respondem à pressão, gerando aumento do tônus, indicado para pacientes hipotônicos.

Em contrapartida, quando o cavalo apresentar uma freqüência baixa de passos. diminuirá a velocidade de inputs dos estímulos proprioceptivos, mantendo o movimento rítmico e cadenciado, estimulando assim o sistema vestibular de forma lenta, contribuindo para diminuição do tônus muscular de todo o corpo, sendo indicados principalmente para pacientes hipertônicos.


Sistema de Equilíbrio

O Sistema Vestibular :Estes são os órgãos de equilíbrio no ouvido interno .Consistem de três canais semi circulares que estão repletos de fluido. À medida que nos movimentamos o fluido também se move e as mensagens são enviadas ao cérebro descrevendo nossa nova posição Temos um órgão de equilíbrio em cada ouvido.

O Sistema de Entrada Visual:Nós recebemos muita informação sobre o que nos rodeia a partir do que vemos. Se nós estamos nos movendo muito rapidamente, focalizar então num dado ponto pode nos impedir de sentir tontura. As informações emitidas por este sistema serão menos eficazes caso a pessoa tenha uma fraca visão.

O Sistema Proprioceptivo:Receptores nos pés e nas juntas e também no pescoço nos fornecem informações sobre como o corpo está se movendo e se estamos em chão firme.

Autor : Eduardo Colamarino

Bibliografia

FREEMAN G. “Therapeutic horseback riding” Clinical Management 4: 21-4, 1984
GUSMAN, S. TORRE, C. “Paralisia cerebral, aspectos práticos: fisioterapia na paralisia cerebral”
São Paulo: Memnon, 1998
GUYTON, A.C. “Tratado de Fisiologia Médica” 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara-Koogan,
1992
HEIPERTZ W. “Therapeutic Riding: Medicine, Education, and Sports” Otawa, Canada: Greenbelt
Riding Association, 1977
KANDEL, E.R. SCHWARTZ, J.H. JESSEL, T.M. “Fundamentos da neurociência e do
comportamento” Rio de Janeiro: Prentice-Hall do Brasil, 1997
MEDEIROS, M. DIAS, E. “Equoterapia Bases & Fundamentos” Rio de Janeiro: Revinter, 2002
RIEDE D. “Physiotherapy on the Horse” Riderwood, MD: Therapeutic Riding Services, 1988
STRAUSS I. “Hippotherapy: Neurophysiological Therapy on the horse” Ontario: Ontario
Therapeutic Riding association, 1995
UZUN, A.L.L. “Equoterapia: Aplicação em distúrbios do equilíbrio” São Paulo, 2005

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Twitter

Formulário de contato

Nome

E-mail *

Mensagem *