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Cavalo Obeso

Assim como aconteceu com o homem que perdeu o contato com a natureza, onde desfrutava de uma vida tranqüila, exercitava seu corpo e tinha uma alimentação saudável, os cavalos também sofreram essas transformações dos tempos modernos. Eles saíram dos pastos e tiveram que se adaptar a uma vida mais controlada dentro de baias, com horários específicos para se exercitarem e recebendo uma alimentação artificial, mais concentrada, elaborada pelo homem. Se antes os cavalos acompanhavam os ciclos da vegetação, isto é, engordando e emagrecendo de acordo com o estado e o valor nutritivo das pastagens, hoje, mesmo recebendo proporções adequadas de alimento concentrado, estão sujeitos a consumir mais nutrientes do que realmente necessitam. Da mesma forma que o homem tem a sua vida sedentária, o cavalo perdeu muito do seu espaço, a sua liberdade natural de movimentação. Agora ele fica restrito a forma e a intensidade de trabalho que o homem lhe impõe e também dependente da qualidade e quantidade da 1-ação recebida. Quando essa alimentação energética não se adequa à intensidade do trabalho, vão se criando reservas no organismo, na forma de tecido gorduroso, que moldará o corpo até o estado de obesidade.

A obesidade não traz apenas alterações visíveis no corpo dos animais, acarreta também mudanças importantes no funcionamento do organismo, sobrecarrega órgãos vitais e prejudica a função reprodutiva. Cada cavalo, dentro da sua raça, de seu estado fisiológico (crescimento, reprodução, trabalho) e de sua herança genética, pode estar predisposto ou não à obesidade.


PREDISPOSIÇÕES

A raça é um importante fator no aparecimento da obesidade. Cavalos de “sangue quente” como, por exemplo, o Árabe, Anglo-Árabe e o Puro Sangue Inglês, têm menos tendência a produzir reservas corporais, porque possuem um metabolismo de base elevado, consumindo assim, mais energia para efetuar o trabalho solicitado. As raças de cavalos de trabalho, sela, e também os Pôneis, são mais rústicas, seu metabolismo de base é mais limitado, aproveitam melhor os alimentos e tendem a acumular reservas.

Além do fator genético da raça, existe um fator genético individual, que pode ou não predispor à obesidade. Dentro de uma mesma raça, podemos encontrar indivíduos um pouco mais gordos que os outros. Este fator tem menos importância na espécie eqüina do que na espécie humana.


IDENTIFICAÇÃO VISUAL

A obesidade nos cavalos é relativamente fácil de ser detectada. Pode-se avaliar a camada de gordura subcutânea (embaixo da pele), ao nível das costelas. Nos cavalos que estão com o peso correto, as costelas são um pouco visíveis, facilmente palpáveis sob a pele e pode-se distinguir bem cada espaço entre elas. Já num cavalo obeso, há uma manta espessa de tecido gorduroso recobrindo as costelas, preenchendo os espaços intercostais, tornando difícil sua palpação.

Outras regiões do corpo do cavalo, antes bem definidas, como a base e as laterais do pescoço e a região lombar (cobertura dos rins) ficam agora apagadas pela gordura subcutânea.


CONSEQÜÊNCIAS

As conseqüências da obesidade são variadas. Elas podem ser observadas em primeiro lugar na queda do rendimento funcional, comprometendo a performance do cavalo. E claro que o excesso de peso, uma massa corporal aumentada dificulta a movimentação. Há infiltração de gordura no sistema circulatório, diminuindo assim a resistência física ao esforço. O fígado é igualmente muito solicitado pelo excesso alimentar e pela elaboração de tecido de reserva. Essa sobrecarga hepática traz conseqüências prejudiciais no conjunto do metabolismo e na eliminação dos excrementos.

Quando em trabalho, um cavalo com tecido gorduroso subcutâneo em excesso, tem muita dificuldade em perder para o ambiente todo o calor que o seu organismo produziu. Essa condição sobrecarrega os aparelhos cardíaco e respiratório.

Outras complicações menos freqüentes da obesidade são os problemas na reprodução. As éguas obesas geralmente são menos férteis que as éguas mantidas em um bom estado corporal. Uma égua obesa é propensa a ter problemas no momento do parto, o tecido adiposo (gorduroso) presente na bacia pode diminuir o diâmetro da cavidade pélvica, dificultando a passagem do potro. Durante o trabalho de parto ela se cansa com mais facilidade, e seus esforços para expulsar o potro são menos eficientes.

Se mesmo com uma alimentação equilibrada e exercício físico suficiente, um cavalo apresentar uma obesidade persistente, será necessário pensar na existência de uma desordem metabólica. Alguns problemas hormonais podem ser a origem de uma obesidade, eles são, entretanto muito raros nos cavalos. O principal entre eles é o hipotireoidismo, onde há uma diminuição na produção e liberação do hormônio chamado tiroxina, produzido pela glândula tireóide. Há um retardamento geral do metabolismo, com ganho de peso, fadiga permanente e problemas cutâneos (pêlos opacos, escassos, que caem facilmente quando atritados). Com os avanços nos meios de diagnóstico, há a possibilidade de dosar no soro dos cavalos, assim como em humanos, os hormônios da tireóide, avaliando funcionamento dessa glândula. Um excesso de secreção de insulina, causado por um tumor no pâncreas, pode produzir uma obesidade persistente. Um caso assim é felizmente excepcional, porque não existe tratamento.

São tantos os problemas ocasionados pela obesidade nos eqüinos, que o melhor que se tem a fazer é evitar que o animal chegue nesse estado. Procure ficar atento ao tipo de alimento fornecido ao seu cavalo. Observe o equilíbrio de nutrientes, de verde e de ração que ele está ingerindo e, principalmente a intensidade de trabalho do animal.

Sempre que for necessário procure um profissional, um médico veterinário para esclarecer suas dúvidas quanto a quantidade e qualidade do alimento a ser ministrado. Lembre-se de que o mais adequado é deixar os cavalos soltos no pasto, ou pelo menos algumas horas por dia. Não permita que os problemas comecem a tomar “volume” e venham a se tornar incontroláveis, irreversíveis.

ILUSÃO

Não é difícil identificar um cavalo obeso. Sua aparência é inconfundível! Cavalos gordos, às vezes são considerados fortes, passam por belos animais, saudáveis. Se você estava pensando desta forma, errou “redondamente”.

Cavalos gordos também escondem muitos dos seus defeitos de conformação, como a garupa caída, problemas na estrutura óssea e muitos outros. Podem chegar a iludir um futuro comprador, que estará vendo um cavalo aparentemente bonito, mas que poderá esconder muitos defeitos atrás da gordura.

Assim, ao sabermos de todos os problemas acarretados pela obesidade, pela gordura em excesso, não devemos deixar que a aparência de um cavalo mais “gordinho” represente para nós um sinal de saúde.

QUANDO A ALIMENTAÇÃO NÃO SE ADEQUA À INTENSIDADE DO TRABALHO, VÃO SE CRIANDO RESERVAS NO ORGANISMO NA FORMA DE TECIDO GORDUROSO, QUE MOLDARÁ O CORPO DO CAVALO ATÉ O ESTADO DE OBESIDADE.

Fonte: Arquivo Revista Horse Business
Por Equipe H.B.

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