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Lançamento DVD: "PELAGEM, RESENHA & EXTERIOR dos Equinos"


Este vídeo é o primeiro volume da Coleção Guia Prático do Cavalo.
Os temas mostrados são: Pelagem, Resenha e Exterior dos cavalos, sendo que o conteúdo é passado de forma prática, tudo feito ao lado do cavalo, desta forma você vê, e você aprende!

Alimentação de Éguas em Lactação

Início da Lactação (1o. ao 3o. mês)

As necessidades energéticas no início da lactação são muito superiores às do período de gestação. Elas vão praticamente dobrar em um ou dois meses. Um bom arraçoamento quantitativo, continuamente bem adaptado ao estado fisiológico e ao nível de produção leiteira permite manter um peso corporal próximo do ótimo, beneficiando ao mesmo tempo a secreção láctea da égua e a sua fertilidade.

Paralelamente às necessidades quantitativas, é fundamental considerar as necessidades qualitativas em proteínas, minerais e vitaminas, pois as reservas são muito modestas e as carências muito freqüentes. Nesta fase são utilizadas as Reservas Corpóreas da gestação. As éguas de raças médias (Mangalarga, Quarto de Milha, Campolina, PSI, etc.) produzem em média, no pico da lactação, 17 litros de leite por dia, enquanto que as raças de tração pesada (Bretão , Percheron) chegam a 25 litros diários. Desta alta produção leiteira, vêm as elevadas necessidades energéticas desta fase. A suplementação com concentrados se faz necessária, pois, além de tudo, a égua pode estar prenhe nesta fase. Portanto a égua tem tripla função: Manutenção, Lactação e Nova Gestação.

Alimentação de Éguas em Gestação

A má nutrição é um dos maiores responsáveis pela infertilidade da égua. Sua importância é notadamente subestimada. Quando a alimentação é deficitária, podem ocorrer problemas na ovulação (cio não fértil), na nidação (fixação do embrião no útero) e na gestação, e mesmo na viabilidade do feto. No momento que a má nutrição é grave e extensa, ocorrem abortos (que predispõe a complicações infecciosas que comprometem a fertilidade) ou simplesmente o nascimento de prematuros, ou mesmo, de potros fracos, pouco resistentes, que ficam sujeitos a nati-mortalidade.

Para prevenir a infertilidade de origem nutricional, a dificuldade prática reside na detecção do erro no arraçoamento, onde devemos adequar os aportes protéicos, minerais e vitamínicos conforme as necessidades do animal.

Nutrição do Cavalo de Esporte e Trabalho

No manejo de potros não há necessidade de pessoas tão habilitadas e habilidosas como no trabalho de adestramento. O que realmente importa é podermos contar com pessoas que realmente gostem destes animais. Geralmente uma boa orientação, aliada a um pouco de jeito e muito carinho é o suficiente para qualquer encarregado desta função. Apesar de sua força bruta, o cavalo é extremamente sensível. Animais submetidos a forte stress e confinamento exagerado alteram seu metabolismo e comportamento e terminam por comprometer seu crescimento e produção.

Práticas de manejo antinaturais promovem uma constante descarga de adrenalina no sangue, causada por pancadas, chicotadas, batidas de porta, baldes, gritos e barulhos estranhos, aumenta o batimento cardíaco e diminui o fluxo sangüíneo nos intestinos podendo levar ao surgimento de úlceras e cólicas. Por esta razão, o encarregado do manuseio do potro deve ter um temperamento calmo e sereno. Suas atitudes devem ser delicadas, mas decididas ao mesmo tempo. O tratador deve ser, antes de tudo, um amigo do potro, Deve chamá-lo pelo nome, acariciá-lo e escová-lo periodicamente. A colocação de um cabresto pode ser iniciada a partir dos dois meses de idade e o ato de colocar e retirar o cabresto cada vez que se manuseia o potro auxilia no processo de amansamento.

Manejo do Potro

No manejo de potros não há necessidade de pessoas tão habilitadas e habilidosas como no trabalho de adestramento. O que realmente importa é podermos contar com pessoas que realmente gostem destes animais. Geralmente uma boa orientação, aliada a um pouco de jeito e muito carinho é o suficiente para qualquer encarregado desta função. Apesar de sua força bruta, o cavalo é extremamente sensível. Animais submetidos a forte stress e confinamento exagerado alteram seu metabolismo e comportamento e terminam por comprometer seu crescimento e produção.

Práticas de manejo antinaturais promovem uma constante descarga de adrenalina no sangue, causada por pancadas, chicotadas, batidas de porta, baldes, gritos e barulhos estranhos, aumenta o batimento cardíaco e diminui o fluxo sangüíneo nos intestinos podendo levar ao surgimento de úlceras e cólicas. Por esta razão, o encarregado do manuseio do potro deve ter um temperamento calmo e sereno. Suas atitudes devem ser delicadas, mas decididas ao mesmo tempo. O tratador deve ser, antes de tudo, um amigo do potro, Deve chamá-lo pelo nome, acariciá-lo e escová-lo periodicamente. A colocação de um cabresto pode ser iniciada a partir dos dois meses de idade e o ato de colocar e retirar o cabresto cada vez que se manuseia o potro auxilia no processo de amansamento.

Alimentação de Potros em Desenvolvimento

O desenvolvimento de um animal corresponde ao momento em que as modificações morfológicas e químicas dos diferentes tecidos e regiões do corpo permitem a este atingir progressivamente as características da idade adulta. A velocidade do desenvolvimento define a precocidade.

A precocidade máxima, levando-se em conta o potencial genético, será obtida quanto melhor forem as condições do meio ambiente, especialmente as condições nutricionais. Para os diferentes tecidos, o desenvolvimento máximo obtido em função da idade é, inicialmente, do sistema nervoso, e após, sucessivamente, do tecido ósseo, muscular e de gorduras de reserva. O pico máximo de desenvolvimento desses tecidos é intercalado.

Este desenvolvimento se inicia assim que o nível energético alimentar ultrapasse as possibilidades de desenvolvimento do conjunto dos tecidos magros, e estaria relacionado, por um lado, ao potencial genético máximo (em função de raça, origem, indivíduo e sua idade), e por outro lado, aos limites impostos pela disponibilidade e equilíbrio dos nutrientes indispensáveis. Uma alimentação insuficiente ou desequilibrada provoca uma redução geral da precocidade. Como o período de desenvolvimento máximo dos tecidos é relativamente curto, a recuperação, no caso de insuficiência nutricional, torna-se bastante limitada e rapidamente irreversível. Assim, potros de éguas em regime hipoprotéico durante a lactação, mostram um menor desenvolvimento cerebral, confirmado por uma atitude inferior durante o adestramento.

A carência protéica para o potro, diminui o desenvolvimento muscular e mesmo ósseo. Do mesmo modo, um desequilíbrio no aporte de fósforo e cálcio para o animal jovem, por uma subalimentação, retarda o desenvolvimento dos dentes definitivos, antes de nos mostrar problemas do esqueleto. Sendo assim, o controle da data de emergência dos dentes definitivos nos daria uma boa idéia da real precocidade e a qualidade destes dentes seria um critério da satisfação das necessidades minerais deste potro. Nos desequilíbrios minerais causados por superalimentação, o potro corre o risco de alterar definitivamente um esqueleto bem desenvolvido e sólido. Isso fica evidente na alimentação com aveia (ou outro grão) em complemento exclusivo com as forragens usuais, onde não deve haver o melhor desenvolvimento atlético do potro, mesmo que ele tenha um excelente crescimento ponderal. Uma carência energética afeta primeiramente as gorduras de reserva, depois os músculos da paleta e da garupa, ainda que o esqueleto tenha um desenvolvimento normal. Se a subalimentação é fraca e passageira, há a possibilidade de recuperação quase total graças ao “desenvolvimento compensatório”, que ocorre com a correção rápida do regime alimentar. Se a subalimentação é acentuada e prolongada, as possibilidades de recuperação são difíceis e a conformação do indivíduo estará definitivamente alterada, mesmo que se eleve posteriormente o nível de arraçoamento. Assim também, a superalimentação é inútil e perigosa. Ela não pode forçar ao desenvolvimento dos tecidos magros onde ele é limitado: pelos potenciais genéticos do indivíduo, pela idade e, pior ainda, pelos desequilíbrios alimentares que alteram o anabolismo protéico. Assim, os potros complementados exclusivamente com cereais, são expostos a deficiências em aminoácidos essenciais que restringem o crescimento ósseo e muscular, favorecendo a obesidade.

O excesso de peso resulta no aparecimento de uma ósteo-tendinite, ainda que imatura e fraca. Paralelamente, provoca um desequilíbrio hormonal, com hiperinsulinismo, hipotireoidismo e hiposomatotropismo. Compromete-se, assim, o crescimento e a mineralização óssea, com predisposição, particularmente, a acidentes de osteocondrose.



André Galvão Cintra
MV, Prof. Esp.
Presidente ABCC Bretão
andre@vongold.com.br
www.vongold.com.br

Alimentação dos Potros em Crescimento

Ainda que existam variações em função de raça, indivíduo e uma certa influência do sexo, os potros possuem notável precocidade potencial. Esta precocidade exige um ótimo ajuste no arraçoamento alimentar, desde o período de gestação da égua e amamentação, e muito mais com o potro, sobretudo no período de 06 a 18 meses. Assim, pode se garantir a obtenção de um bom crescimento e de um excelente desenvolvimento ósseo e muscular a partir de uma idade precoce, permitindo ao potro entrar nas primeiras competições em melhores condições.

1. Peso: A velocidade de crescimento do potro, inicialmente, é muito elevada. Nas raças leves, o peso ao nascimento representa 10% do peso da égua e é dobrado em pouco mais de um mês (mais precisamente em 35 dias). Durante o primeiro mês, o ganho de peso médio é ao redor 1500 g/dia, podendo atingir 1800 g/dia nos indivíduos muito grandes. O ganho de peso está entre 1200 e 1300 g/dia no 2o. mês e ao redor de 750 g/dia aos 6 meses. (é claro que estes valores sofrem alguma variação conforme a raça do animal).

2. Altura de Cernelha: Ao nascer, o potro já apresenta um crescimento linear apreciável, onde o potro possui cerca de 60-70% da altura de cernelha de um animal adulto, alcançando o cerca de 95% de seu crescimento máximo aos 24 meses e 100% aos 60 meses, em média. A criação de um potro visa produzir um animal muito bem desenvolvido sob os planos ósseos e musculares, sem acumulação supérflua de gorduras de reserva. Procuramos um crescimento ótimo e não máximo como em um animal de abate. Nas criações de eqüinos para esporte ou corrida, a precocidade é de interesse excepcional em razão das primeiras competições. Esta precocidade conhece um máximo genético quando sabemos que ela depende das condições de criação e, particularmente, da qualidade do regime alimentar. Inversamente, toda carência ou desequilíbrio do regime acarreta um atraso ou mesmo um golpe irreversível no desenvolvimento. O tecido ósseo é o primeiro a ser afetado, em razão de ser o mais precoce. A incidência de problemas ósseos nos potros e cavalos jovens testemunha a seqüência de má nutrição nas diferentes criações, mesmo naquelas com linhagens superiores. Convém então adaptar a alimentação quantitativa e qualitativamente ao potencial genético de crescimento e desenvolvimento dos tecidos magros de cada indivíduo.

Crescimento 

O crescimento ou ganho de peso vivo é apreciado por um período determinado para calcular a velocidade de crescimento. Ele é, sobretudo, sensível ao nível energético da alimentação. A total expressão do potencial genético, notadamente quando de uma alimentação perfeitamente equilibrada, traduz-se por uma curva ideal de crescimento com um ponto de inflexão quando da puberdade do animal. A curva pratica de crescimento se aproxima da curva ideal sempre que a égua é uma boa gestante e, ao final do aleitamento, se ela foi uma boa mãe de leite. Quando a complementação concentrada (ração inicial) é insuficiente, ou quando a curva láctea da égua baixa rapidamente, sabendo-se que as necessidades do potro continuam aumentando, temos o distanciamento de uma curva da outra. A mais forte razão deste distanciamento vem sempre em seguida a um desmame mal preparado, onde o potro sofre freqüentemente uma “crise de crescimento”.

Caso a subalimentação seja moderada ou transitória, ela provoca um baixo crescimento, dando lugar, tão logo se normalize a situação, a uma recuperação rápida um pouco perto do ideal, fenômeno conhecido como “ganho compensatório”. Trata-se de um certo retardo do crescimento. Se a subalimentação é mais grave, diríamos por um bom tempo, com crescimento fortemente reduzido ou mesmo estagnado, a recuperação posterior será incompleta. Por outro lado, o tamanho do indivíduo estará diminuído de forma definitiva.

André Galvão Cintra
MV, Prof. Esp.
Presidente ABCC Bretão
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Probióticos

Definição:

É um aporte de micro-organismos vivos que, introduzidos na dieta alimentar, melhoram as performances zootécnicas dos animais. Através destas substâncias, é possível facilitar a absorção de nutrientes pelo animal e promover um manejo adequado.O cavalo é um animal monogástrico, com estômago pouco volumoso e intestino bem desenvolvido. O intestino delgado possui a função de digestão enzimática Os alimentos permanecem lá por 1 a 2 horas e as enzimas produzidas pelo pâncreas iniciam sua ação. No intestino grosso, onde os alimentos permanecem por 24-48 horas, a digestão dos alimentos ocorre graças à ação da população microbiana. A perfeita atividade da flora intestinal permite uma boa utilização digestiva dos alimentos, pois a flora tem um efeito de barreira ecológica à instalação de germes (particularmente patogênicos). A boa higiene digestiva do animal dependerá também do equilíbrio da flora intestinal.

Fatores de Desequilíbrio:

As causas que levam a uma perturbação da flora intestinal são de diversas origens. Stress por: transporte, competição, em um período pós-operatório, distribuição irregular de refeições, erros alimentares na escolha de produtos com excessos protéicos e/ou desequilibrados em celulose, em períodos normais da vida das éguas como gestação e lactação.

Conseqüências do Desequilíbrio:

Queda acentuada da eficácia da dieta diária, logo com um estado geral não adequado à performance esportiva e à reprodução. Todos estes fatores predispõem o cavalo aos desequilíbrios de sua flora intestinal. Estes desequilíbrios, chamados dismicrobismo, poderão causar patologias digestivas que podem levar o animal à morte. A mais conhecida destas patologias é a síndrome cólica, uma das maiores causas de mortalidade dos cavalos. Além da síndrome cólica, este dismicrobismo predispõe o cavalo a quadros de Laminite (aguamento), patologia extremamente grave e que pode ser prevenida com um manejo adequado. O probiótico atua contra os desequilíbrios da flora intestinal. Graças à sua ação biorreguladora, ele permite encobrir os desequilíbrios, preservando assim suas funções essenciais de maneira geral e a saúde do cavalo. Mas para que um probiótico possa ter uma ação efetiva, e ser chamado de probiótico, ele deve possuir características particulares: - ser cultura viva (pode ser bactéria ou levedura); - estar em alta concentração; - ser oferecido em aporte contínuo (ininterruptamente); - ser resistente às enzimas digestivas e ao pH do estômago; - ser competitivo em relação aos germes digestivos. O que se procura quando se administra um probiótico ao animal é melhorar a eficácia alimentar através do aumento da atividade enzimática e aumentando a digestibilidade das fibras. Além disso, espera-se uma melhora no estado de saúde do animal, pois há uma elevação das defesas imunitárias com uma diminuição da ação dos germes patogênicos.

Vantagens do Uso de Probióticos:

Efeito Sanitário: Os cavalos apresentam uma melhora do estado geral (aspecto do pêlo, qualidade dos cascos, etc.) e, sobretudo uma queda significativa dos problemas digestivos. Efeito Nutricional: Prevenindo e estabilizando os desequilíbrios da flora microbiana do organismo, o probiótico reforça as defesas imunitárias naturais, otimiza o aproveitamento da alimentação e reduz os problemas da digestão. De fato, obteve-se uma melhor cobertura das necessidades e uma segurança muito grande por limitar os efeitos das transições alimentares ou do stress. Nas Éguas: um aporte regular de alimento suplementado com Probiótico permite assegurar uma melhor lactação. As dietas diárias são melhores valorizadas e as éguas não perdem peso de modo excessivo após o parto e apresentam uma melhor qualidade leiteira com aumento dos níveis dos elementos nutritivos e minerais do leite. Devemos nos lembrar que uma égua, com um potro de 45-50 kg de peso ao nascer, deverá produzir diariamente de 16 a 18 litros de leite. A produção leiteira melhora qualitativamente e quantitativamente, o que permite ao criador obter potros mais robustos e resistentes.



André Galvão Cintra
MV, Prof. Esp.
Presidente ABCC Bretão
andre@vongold.com.br
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A Proteína na alimentação de Equinos

As proteínas são compostos orgânicos constituídos por Carbono, Hidrogênio, Oxigênio, Nitrogênio e Enxofre. Estes elementos unidos formam os diversos tipos de aminoácidos que irão se unir através de ligações peptídicas e compor as proteínas. Depois de ingeridas, as proteínas são quebradas, liberando os aminoácidos e produzindo amônia. Todas as proteínas são constituídas por 20 aminoácidos. O que muda é a seqüência e a quantidade de aminoácidos.

Existem dois tipos de aminoácidos: os Essenciais e os não Essenciais.

Os aminoácidos essenciais são aqueles que o organismo do animal não consegue sintetizar, sendo obtido somente através da alimentação. O simples fato de um aminoácido ser denominado Essencial, não significa que se deve buscar suplementar artificialmente todos os animais. Através do uso de dieta equilibrada, oriunda de matérias primas nobres, em quantidades adequadas, o animal terá disponível toda a gama de aminoácidos necessários para o funcionamento de seu organismo. Aminoácidos não essenciais são aqueles que o animal consegue disponibilizar ao organismo através da alimentação. As proteínas têm como função catálise enzimática, transporte e armazenamento, suporte mecânico, proteção imunológica, formação e transmissão do impulso nervoso e controle de crescimento e diferenciação celular. Historicamente, criou-se o conceito de que animal bem tratado deve ter alimentação rica em proteína, onde o fornecimento de alfafa e rações com teores de Proteína Bruta próximos a 15% seriam os ideais para o bom desempenho do eqüino. Em uma análise técnica, considerando-se individualmente cada categoria animal (potros, éguas em reprodução, garanhões, animais de trabalho ou em manutenção), sabemos que existem diferenças nas necessidades protéicas de cada categoria. O fornecimento de proteína é fundamental, devendo ocorrer de forma balanceada (sem deficiências nem excessos) de acordo com as exigências de cada animal.

Na verdade, o que mais importa em uma dieta, não são exatamente os valores protéicos, mas sim os valores de aminoácidos que compõem essa proteína. Em uma dieta equilibrada, composta de volumoso de boa qualidade e ração específica para o animal, com valores qualitativos e quantitativos adequados de proteína, em geral não é necessária uma suplementação extra de aminoácidos, exceto em casos onde haja uma exigência extremamente elevada, como é o caso de cavalos em atividade intensa e animais idosos, e ainda assim de alguns aminoácidos específicos. A quantidade de aminoácidos que um animal necessita, especificamente e isoladamente falando de cada aminoácido, somente foi determinada com relação à Lisina, não sendo, portanto, factível utilizar-se de determinado suplemento de aminoácidos afirmando-se que estamos suprindo as necessidades do animal por desconhecer quais as necessidades quantitativas para o animal.

Muitas vezes a suplementação com aminoácidos é eficiente, outras vezes nem tanto. Deve-se sempre, antes de tudo, equilibrar a dieta do animal. Após isso, se ainda sim o animal tiver necessidade de algum nutriente, pode-se, com o devido auxilio técnico especializado, proceder-se à administração de algum produto se o animal assim o exigir. Além da qualidade da Proteína, outro fator a ser levado em consideração, é sua quantidade. Todo animal deve ter um limite no teor de proteína em sua dieta. Um excesso de proteína na alimentação pode trazer problemas para o animal. Uma dieta balanceada deve considerar tudo o que se oferece ao animal, equilibrando-se o concentrado e o volumoso, além dos suplementos oferecidos ao animal. Especialmente para cavalos de esporte, um conceito fundamental é de que o Trabalho Muscular é condicionado ao fornecimento de Energia, e não de Proteína. Portanto, devemos limitar e mensurar corretamente os valores protéicos especialmente oferecidos a esta categoria. Quando ocorre o processo de digestão do alimento, com quebra da proteína para absorção dos aminoácidos ocorre a formação de um composto tóxico (amina) para o cavalo.

Em condições normais, este composto é naturalmente eliminado pela urina, através dos rins. Quando ocorre excesso de proteína na alimentação, ocorre um excesso deste componente tóxico que não vai conseguir ser eliminado através da urina indo para a circulação sangüínea. Isto pode ocasionar o chamado dismicrobismo, isto é, desenvolvimento de flora patogênica (prejudicial) pelo Intestino Grosso o que causará:

• Enterotoxemia: produção de toxinas no Intestino

• Problemas Hepáticos

• Emagrecimento do Animal

• Problemas Renais com urna abundante

• Má recuperação após o esforço: mais facilmente observado em cavalos de esporte, com atividade física regular

• Problemas de fertilidade em garanhões: queda na espermatogênese (processo de produção de espermatozóides)

• Transpiração Excessiva: em alguns animais é facilmente observado através do suor “espumante”, o que leva a uma perda excessiva de eletrólitos (minerais) fundamentais para o animal

• Cólicas e Timpanismo (produção de gases)

Considerações Gerais

Qualquer que seja a categoria animal a ser nutrida, devemos sempre pensar em balancear a dieta do animal, suprindo suas necessidades, sem deficiências nem excessos. Para isso, devemos sempre contar com o auxílio de profissionais capacitados e de softwares de dieta, para oferecermos corretamente todos os nutrientes fundamentais: Energia, Proteína, Macro e Micro Minerais e Vitaminas, lembrando sempre que, para cada categoria, existem diferentes necessidades nutricionais que devem ser supridas para o bom desempenho do animal. As necessidades são diferentes e variáveis conforme a categoria do animal, podendo variar em mais de 100% de animal de passeio para éguas em lactação, ou apenas 20 a 30% de manutenção para animal de trabalho. Além disso, outros fatores interferem nas necessidades do animal e no cálculo de uma dieta equilibrada, tais como peso, raça, clima, tipo de forrageira, digestibilidade individual, estado geral do animal, etc. Deve-se sempre saber a real necessidade do animal buscando o melhor alimento, e o melhor alimento é aquele que supre de maneira eficaz e equilibrada as necessidades do animal.


André Galvão Cintra
MV, Prof. Esp.
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Suplementação Mineral

Além do sal mineral que deve ser oferecido sob qualquer circunstância ao animal, o cavalo pode ter a necessidade de alguns elementos minerais conforme as circunstâncias. Temos que tomar alguns cuidados aos oferecermos uma suplementação mineral ao animal, pois temos que oferecê-la em equilíbrio, jamais um único elemento mineral (exceto em casos de patologias específicas).

Existe uma interação entre os elementos minerais, e se houver um excesso de um único elemento mineral, podemos ter uma síndrome chamada de carência induzida, onde o excesso de um elemento mineral, causa a deficiência de outro elemento, mesmo que esse outro elemento esteja em quantidade adequada na dieta. Por exemplo, se oferecermos uma suplementação extra de Ferro ao animal, sem que seja necessário, podemos causar uma carência induzida de Zinco e Cobre, e o animal passa a apresentar sintomas de carência de zinco e cobre, mesmo que os níveis destes elementos sejam adequados na dieta.

* Cálcio (Ca) e Fósforo (P) A suplementação adequada de cálcio e fósforo é importante para se obter uma perfeita integridade do esqueleto, um bom desenvolvimento ósseo, sólido e resistente às trações musculares. O equilíbrio no fornecimento de cálcio e fósforo é muito importante para se prevenir o aparecimento de afecções ósseas, como a osteofibrose ou hiperparatireoidismo nutricional secundária (“cara inchada”). Relação Ca/P: Entre 1,5 a 2,5 partes de cálcio para 1,0 parte de fósforo (1,5:1,0 a 2,5 :1,0).

* Cloreto de Sódio (NaCl) As necessidades diárias em manutenção são facilmente cobertas pelas rações comuns do mercado, mas em situações especiais, onde há exigências diferenciadas, sobretudo em clima quente, uma suplementação extra se torna imprescindível para impedir o aparecimento de sinais de fadiga e queda de resistência. Uma carência crônica se manifesta por uma alteração do apetite e pelo aparecimento da “pica” (propensão a ingerir qualquer coisa: urina, terra, madeira, etc.), por rugosidade da pele e, eventualmente por redução da velocidade de crescimento ou da secreção Láctea e por uma predisposição a acidentes musculares agudos.

* Magnésio (Mg) O Magnésio é chamado de sedativo do sistema nervoso, tanto central (como o cálcio), como periférico (oposto ao cálcio). Suas necessidades são aumentadas com dietas hiperprotéicas e hiperenergéticas. Em animais nervosos ou irritados, ou submetidos a estresse contínuo, um tratamento, por período definido, com um suplemento rico em magnésio, tem um efeito benéfico para o animal. Não deve ser oferecido ininterruptamente, mas por período breves.

* Potássio (K) O Potássio, assim como o sódio, está ligado à excitabilidade muscular. O excesso de potássio é muito perigoso; ele induz a uma grande fadiga muscular e pode levar a problemas cardíacos. Devemos tomar muito cuidado com uma alimentação muito rica em melaço, pois este é rico em potássio.

* Ferro (Fe) - Fator Antianêmico. É muito comum alguns proprietários de cavalos de esporte aplicarem ferro injetável aos animais, pretendendo aumentar a capacidade esportiva do animal. Esta prática, além de não aumentar a performance do animal, prejudica a absorção de zinco e cobre, em detrimento da solidez óssea, prejudica a produção de hemoglobina e a elasticidade dos tendões. O aumento da taxa sangüínea de ferro acelera a utilização da vitamina E e predispõe a lesões musculares. Carência Rara.

* Cobre (Cu) É um fator antianêmico, participa do desenvolvimento ósseo, prevenção de osteocondrose, elaboração de camadas córneas. Risco de Carência Elevado.

* Zinco (Zn) Ligado à ossificação, integridade dos tegumentos (pele e camadas córneas, juntamente com o cobre, Vitamina A e Biotina) e imunidade. Risco de Carência Elevado.

* Manganês (Mn) É indispensável à fertilidade e ao desenvolvimento ósseo. Carência: Rara.

* Cobalto (Co) Está ligado na composição da vitamina B12 (cianocobalamina). Ele permite sua síntese pela microflora no aparelho digestivo. Carência: Rara.

* Selênio (Se) Antioxidante do Organismo (com Vit.E). Juntamente com a Vitamina E, o selênio protege as células, mais particularmente: - glóbulos vermelhos: reduz o risco de hemólise; - capilares: previne as microhemorragias e edemas; - músculos: contribui para evitar a degeneração muscular Carência: mediana.

* Iodo (I) Ligado à síntese de T3 e T4 (hormônios tireoideanos), à reprodução e ossificação. Sua carência leva ao bócio (hipertrofia da tireóide) e ao hipotireoidismo. Carência: mediana.


MINERAIS QUELATOS

Também são chamados de minerais orgânicos, minerais quelatados ou mineral aminoácido quelato. São minerais ligados a um aminoácido e que possuem maior capacidade de serem absorvidos pelo organismo. Podem ser de três tipos:

1. Mineral Aminoácido Quelato: quando uma molécula de mineral está ligada a um aminoácido específico. É de fácil assimilação pelo organismo.

2. Mineral Aminoácido Complexo: (específico e inespecífico) quando uma molécula de mineral está ligada a um aminoácido complexo. É menos absorvida que o anterior.

3. Mineral Proteinato: quando uma molécula mineral está ligada a um complexo polipeptídico. É a menos absorvida dos três tipos. A diferença entre os três tipos está no peso molecular, na constante de estabilidade das ligações e nos aminoácidos utilizados. Os minerais quelatados possuem as vantagens de serem melhor biodisponíveis (até 90% de absorção, contra 10 a 20% dos minerais inorgânicos), sem interferirem na absorção de outros nutrientes, sem possuírem efeitos colaterais, nem causarem dopping.

O simples fato de um mineral ser quelatado (ou quelado) não significa que ele é superior aos outros. Como exemplo temos o cálcio quelado por oxalato (presente em alguns tipos de capim). Este complexo quelatado não é absorvido pelo organismo. Quando vamos utilizar um mineral quelatado, devemos conhecer sua procedência, para saber se é ou não absorvido pelo organismo.


André Galvão Cintra
MV, Prof. Esp.
Presidente ABCC Bretão
andre@vongold.com.br
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Aminoácidos na Nutrição Eqüina

A performance do cavalo, qualquer que seja sua categoria, crescimento, reprodução ou esporte, deve ser baseada em um tripé: Genética x Treinamento e Manejo x Alimentação.

Uma boa nutrição deve ser baseada nas reais necessidades do animal, e não naquelas que achamos que o animal necessita.  

Os “achismos” , “suposições” ou simples cópia do que o vizinho faz, podem ser tão ou mais prejudiciais que a não oferta dos nutrientes adequados ao animal.

Aqui vale um outro alerta: Este prejuízo pode ser muito evidenciado no nosso bolso, pois muitos produtos são extremamente caros e nem sempre eficazes ao nosso animal.

É claro que a imensa maioria de suplementos existentes, desde que oriundo de empresas idôneas, tem sua eficácia.

Mas o ponto principal é: O produto em questão é eficaz e necessário ao meu animal?

O que quero ressaltar é a individualidade de cada animal. Isto é, as necessidades de cada animal são inerentes a ele, devendo ser avaliadas de acordo com as características de raça, digestibilidade individual, temperamento, condições ambientais em que o animal vive e, claro, dependendo do tipo de esforço físico a que ele está submetido.

Esta regra vale para todos os tipos de suplementos, mas, especificamente aqui, quero ressaltar a devida importância dos aminoácidos.

Aminoácidos são a base de todas as proteínas. Quando se fala em necessidades protéicas falamos realmente de necessidades em aminoácidos.

Todas as proteínas são constituídas por 20 aminoácidos. O que muda é a seqüência e a quantidade de aminoácidos.

Existem dois tipos de aminoácidos: os Essenciais e os não Essenciais.

Os aminoácidos essenciais são aqueles que o organismo do animal não consegue sintetizar, sendo obtido somente através da alimentação. São eles: Lisina, Metionina, Triptofano, Histidina, Fenilalanina, Leucina, Isoleucina, Treonina, Valina e Arginina. O simples fato de um aminoácido ser denominado Essencial, não significa que se deve buscar suplementar artificialmente todos os animais. Através do uso de dieta equilibrada, oriunda de matérias primas nobres, em quantidades adequadas, o animal terá disponível toda a gama de aminoácidos necessários para o funcionamento de seu organismo.

Aminoácidos não essenciais são aqueles que o animal consegue disponibilizar ao organismo através da alimentação, tais como Ácido Aspártico, Ácido Glutâmico, Alanina, Arginina, Cisteína, Glicina, Glutamina, Histidina, Prolina, Serina, Tirosina, Taurina.

Em condições normais, para um cavalo em manutenção, uma dieta equilibrada, com forragem fresca ou feno de boa qualidade, é suficiente para suprir as necessidades do animal.

Entretanto, ao se submeter este animal a condições que exijam uma melhora em sua dieta, torna-se necessário uma suplementação adequada para que estes aminoácidos não faltem ao organismo do animal.

Esta suplementação pode ser através de um concentrado (ração de boa qualidade) ou ainda através da adição de suplementos nutricionais específicos.

Está muito em voga hoje a utilização de suplementos a base de creatina, estudam-se outros a base de carnitina, glutamina, bcaa (branched chain amino acid - aminoácidos de cadeia ramificada), entre outros, todos atuando diretamente na melhoria de disponibilidade de energia para o animal.

Comprovações definitivas de sua eficácia, ainda não podem ser evidenciadas.

Há controvérsia se a utilização destes suplementos são realmente eficazes na melhora do desempenho atlética ou mesmo desenvolvimentar do animal.

Entretanto, o que temos observado, é que alguns animais respondem positivamente ao uso destes suplementos e outros nem tanto.

Cabe aqui ressaltar que esta diferença, pelos motivos já citados, podem ser devida às individualidades de cada animal, a fatores inerentes a ele, ao meio ambiente e à interação entre o animal e o meio ambiente.

Portanto, para o uso prático destes suplementos, não se deixe levar apenas pela propaganda, muita vezes enganosa, de promessa disso ou daquilo.

Consulte um técnico especializado, muitas vezes sai mais barato que o uso indiscriminado destes suplementos.

Teste o produto em seu animal por 45 a 60 dias. Se houver resposta positiva, é uma evidência da necessidade de seu animal àquele suplemento. Caso tenha dúvidas de melhora no desempenho, provavelmente seu animal não necessita de tal suplementação.

Na dúvida, não prejudique.


André Galvão Cintra
MV, Prof. Esp.
Presidente ABCC Bretão
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Cara Inchada

Hiperparatireoidismo Nutricional Secundário

Osteodistrofia Fibrosa

“Cara Inchada”

O Hiperparatireoidismo Nutricional Secundário ou Osteodistrofia Fibrosa, doença também conhecida como “Cara Inchada”, está relacionada ao aumento da liberação de um hormônio, o PTH (hormônio da paratireóide), que atua retirando cálcio dos ossos para a corrente sangüínea.

Este hormônio é liberado quando se observa uma alteração na relação Cálcio - Fósforo (Ca:P) na corrente sangüínea.

Esta relação deve ser próxima de 2:1 (1,6:1 para potros em crescimento e  éguas em lactação;  1,8:1 para cavalos de esporte e em manutenção).

Quando houver um desequilíbrio sangüíneo nesta relação, com aumento da quantidade de Fósforo no sangue, o organismo vai tentar reequilibrá-lo  retirando cálcio do maior reservatório do corpo do animal que são os ossos.

Ocorre que os ossos também necessitam de cálcio, pois é ele que dá consistência aos ossos. Os primeiros ossos a sofrerem com a retirada do cálcio, são os ossos da face.

Quando ocorre retirada do cálcio dos ossos da face, o tecido ósseo  precisa ser substituído e ocorre uma proliferação de um tecido ósseo sem cálcio (aerado) no local onde seria o osso: este tecido possui um volume maior, dando a aparência de que o cavalo está com a cara inchada.

Basicamente, são 4 os fatores que podem causar esta enfermidade:

1. Deficiência de Cálcio na Alimentação: com a baixa oferta de cálcio, ocorre uma menor absorção para a corrente sangüínea, diminuindo os níveis de cálcio e a relação Ca:P.

2.  Excesso de Fósforo na Alimentação:  Mesmo que os níveis de cálcio estejam corretos na alimentação, um excesso de fósforo causará o desequilíbrio na relação Ca:P. Este excesso de fósforo normalmente esta ligado ao consumo excessivo de grãos de milho ou farelo de trigo ou de certas gramíneas, como napier.

3.  Ingestão de Oxalato:  O oxalato é uma substância presente em algumas forrageiras que, ao ser absorvida pelo organismo, se une ao cálcio formando um quelato, tornando-o indisponível e impedindo que este possa cumprir suas funções vitais. Alguns tipos de pastagens são ricas em oxalato e, sempre que possível, devem ser evitadas para não prejudicar o animal, como por exemplo a setária, o quicuio e alguns tipos de brachiárias.

4.  Deficiência de Vitamina D:  Esta vitamina é necessária para que o cálcio seja absorvido pelo organismo; em sua ausência, ocorre desequilíbrio na relação Ca:P. Esta causa é rara, pois ocorre apenas em cavalos que não tomam sol.

O principal sintoma observado é aumento de volume dos ossos da face do animal, em geral bilateral e, em alguns casos, uma ligeira claudicação sem causa aparente.

O principal tratamento é a correção da causa primária, como aumentar a administração de cálcio (nos casos de deficiência deste), diminuir o fósforo (quando em excesso) e evitar pastagens ricas em oxalato.

Nos estágios iniciais pode ser suficiente corrigir a causa primária.

Em estágios mais avançados, deve-se proceder a uma administração maciça de cálcio, além de medicamentos que auxiliem na absorção deste cálcio, nem sempre alcançando êxito.

É fundamental iniciar o tratamento nos estágios iniciais, pois, em casos graves,  a cara inchada pode levar o animal à morte por obstrução dos seios nasais impedindo a respiração.

O melhor tratamento é a prevenção. Esta deve ser feita alimentando-se adequadamente o animal, com rações balanceadas de boa procedência, capim ou feno de boa qualidade, sal mineral à vontade em cocho separado. Ressaltando aqui que o sal mineral deve fazer parte da dieta normal do cavalo, diariamente, e não apenas quando se observar uma deficiência.

Lembramos ainda que o animal deve tomar sol algumas horas por dia para que ele sintetize a vitamina D necessária para a absorção do cálcio.


André Galvão Cintra
MV, Prof. Esp.
Presidente ABCC Bretão
andre@vongold.com.br
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Alimentação Equilibrada

Um Programa de Nutrição deve ser adequado à função desenvolvida pelo eqüino e à categoria à qual ele pertence. Deve-se levar em consideração as quantidades mínimas necessárias de energia, proteína, vitaminas, minerais e água.

Considerações Básicas:

Quando tratamos da alimentação dos cavalos, os nutrientes com os quais devemos nos preocupar, são os seguintes:

· Carboidratos e Lipídeos: as necessidades energéticas dos animais são atendidas através dos carboidratos e dos lipídeos que lhes fornecemos. Estas necessidades estão ligadas principalmente ao tamanho do animal e ao tipo de trabalho que desempenha.

Os lipídeos não são utilizados apenas como fonte de energia, mas também fornecem os ácidos graxos que são essenciais ao bem estar dos animais. Apenas depois de termos atendido às necessidades de AG dos animais é que podemos usar os lipídeos para atender às necessidades energéticas.

· Proteína: As necessidades de proteína dos animais são específicas para prover os aminoácidos de que o animal necessita, assim como a atividade que desempenham, como crescimento e reprodução. Devemos nos preocupar, não só com a quantidade da proteína, mas principalmente com a sua qualidade.

· Minerais: Grupo dividido em macro e micro elementos minerais.

Os macro-elementos estão envolvidos com a estrutura do animal e são perdidos diariamente durante o desempenho de suas atividades (Ca, P, Na, Cl, K, Mg, S).

Os micro-elementos estão envolvidos, principalmente, com as funções metabólicas dos animais. (Fe, I, Cu, F, Mn, Mo, Zn, Co, Se, Cr, Sn, Ni, V, Si).

· Vitamina: Estão divididas em duas categorias principais: as hidrossolúveis (Complexo B e Vitamina C) e as lipossolúveis (A, D, E K).

Com as forragens verdes, de alta qualidade, que o cavalo obtém na pastagem, provavelmente não temos que nos preocupar com a adição de qualquer teor extra de vitaminas A, D e E para animais em manutenção. No entanto, se o animal é mantido numa baia e alimentado com feno, provavelmente precisará de uma suplementação de vitaminas.

A maioria das vitaminas hidrossolúveis é fornecida em níveis suficientes pelos alimentos normalmente dados ao animal, ou são produzidas em quantidades adequadas no sistema digestivo.

Sob condições de stress intenso, como corrida, provas ou exposições, o animal poderá não conseguir as quantidades necessárias de vitaminas através da alimentação normal. Para estes animais, recomenda-se uma suplementação de vitaminas.

· Água: É um dos principais nutrientes da dieta do cavalo. O cavalo tem necessidades hídricas que podem variar de 30 a 70 ml por kg de peso vivo ao dia (15 a 35 litros diários), dependendo de sua atividade, condições climáticas e individualidade. Lembrando que esta água deve estar sempre fresca (não gelada) e limpa (cocho limpo diariamente).

Uma boa alimentação equilibrada deve seguir alguns princípios:

· Fórmulas Estáveis: o que garante sempre a qualidade do produto final

· Matérias – Primas Nobres: oferece o que há de melhor valor nutricional para o cavalo

· Procedimentos rigorosos de fabricação industrial: o que evita problemas de toxicidade do produto final.

Devemos sempre avaliar as necessidades do animal com o auxílio de técnicos especializados e do veterinário, em função de:

· Raça
· Idade
· Peso
· Esforço
· Forrageira
· Objetivo Fixado

Procurando sempre conselhos nutricionais utilizando-se de Programas Informatizados, que nos permite a escolha do melhor produto completo e/ou complementar.

Uma alimentação equilibrada deve:

· Permitir a exteriorização do Potencial Genético;

· Favorecer o trabalho (treinamento ou manejo) do cavaleiro ou tratador

· Reforçar as chances de sucesso esportivo ou da criação.

MANEJO DA ALIMENTAÇÃO - Principais Tópicos

Lembre-se sempre que, para um bom desempenho nutricional de qualquer categoria eqüina, o animal deve estar em bom estado de saúde, deve ser vermifugado freqüentemente e receber um manejo alimentar adequado.

1.  Exigências Nutricionais Diferentes para cada Categoria: Qualquer propriedade que possua animais de diferentes categorias deve ter um manejo diferente para cada categoria.

2.  Menores quantidades de alimentos têm aproveitamento mais eficiente. O cavalo tem um estômago pequeno e na natureza ele se alimenta lentamente e durante a maior parte do dia (15 a 18 horas). Quanto mais se distribuir o alimento durante todo o dia, melhor será seu aproveitamento. Por exemplo, ao se administrar 4 kg de ração diariamente, pode-se dividir em 03 refeições, que seu aproveitamento será mais eficiente. O mesmo se refere ao volumoso.

3.  Para animais estabulados, a última refeição deve ser de volumoso: Quando o animal está estabulado, a última refeição diária é oferecida às 16:00-17:00 h. A próxima refeição será oferecida somente às 7:00 do dia seguinte. Para uma boa “higiene mental” do cavalo ele deve ter uma boa ocupação quando estabulado e o oferecimento de alimento volumoso suficiente para ele passar a noite é o melhor meio de tranqüilizar o animal.

4.  As mudanças de ração devem ser graduais: Para que a flora intestinal possa se adequar ao novo tipo de alimento, devemos proceder a um esquema gradual de mudança de ração: 1/3 da ração nova + 2/3 da ração antiga (sendo a mistura feita em todas as refeições diárias) por 5-7 dias; ½ a ½ por 5-7 dias; e 2/3 da ração nova e 1/3 da ração antiga por mais 5-7 dias. Após esse período o animal já estará adaptado e não sofrerá conseqüências pela alteração brusca da ração.

5.  Ajustar o nível energético da alimentação conforme as necessidades: Cavalos de trabalho intenso necessitam de muita energia, diminui-se o trabalho, diminui-se a energia da alimentação.

6.  Não dar importância excessiva à quantidade de concentrado, mas sim à sua qualidade: É melhor oferecer uma ração de qualidade superior em pequena quantidade do que oferecer muita ração de qualidade inferior. Lembre-se que o cavalo necessita de mais volumoso do que concentrado.

7.  Adote o princípio: “Mínimo necessário, não Máximo obrigatório”. Devemos oferecer aquilo que o cavalo necessita realmente, e não aquilo que achamos que ele pode ingerir. Não é porque o cavalo pode ingerir até 3% de seu peso em Matéria Seca, que sempre vamos oferecer esta quantidade a ele.


André Galvão Cintra
MV, Prof. Esp.
Presidente ABCC Bretão
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Excesso de Selênio na Dieta

Muitas são as histórias que temos vivido e que são, sem sombra de dúvida, de interesse para todo clínico ligado aos cavalos.

Em 1999, prestando assessoria a um cavaleiro de nível internacional (por razões óbvias, vou preservar o nome e a atividade esportiva do cavaleiro), fui chamado por este cavaleiro para auxiliar na solução de um problema que estava ocorrendo com alguns de seus animais após algumas etapas de provas seletivas para uma competição internacional.

O problema que foi apresentado é que alguns de seus animais estavam apresentando início de Laminite logo após algumas provas (ligeira claudicação, pulso nos membros, etc.).

Claro que a suspeita principal recaiu sobre a ração (a ração, sempre a ração – precisamos repensar se o erro é da ração ou do manejo que damos a ela quando ofertamos ao cavalo).

Obviamente, antes de visitar o cliente, confirmei que não havia problema com a partida de ração que o cliente estava utilizando.

Chegando ao Centro de Treinamento, busquei todas as informações possíveis sobre tudo que os cavalos comiam, como era o Treinamento dos animais e em que condições ocorriam as competições em que os animais apresentavam o problema.

Constatando que o Treinamento dos Cavalos estava dentro da técnica adequada sem sobrecarregar os animais e as provas seguiam um nível adequado ao treinamento, comecei a analisar a alimentação do animal.

E aqui entra uma importante forma de observação. Os animais eram alimentados com o que havia do bom e do melhor. Feno de Coast-cross de excelente qualidade, concentrado equilibrado em ótima quantidade (3,5 a 4 kg ao dia de ração alta energia – para um animal de 450 kg) e uma boa gama de suplementos.

Aparentemente, poderíamos descartar a possibilidade de um problema nutricional, pois o animal estava recebendo tudo o que deveria. Os suplementos eram do tipo Minerais Quelatados, Vitamina E e Selênio, Eletrólitos, além, é claro, de sal mineral para Eqüinos.

E aí é que a coisa pega, pois o que nos parece equilibrado, na verdade está superalimentado. O que normalmente esquecemos de observar é se não há excessos alimentares na dieta de nossos cavalos. Excessos não são apenas por uma grande quantidade, mas também pela utilização de um elemento por um período contínuo, muitas vezes sem que haja necessidade desta suplementação.

Em nossos estudos, a literatura cita que “a administração contínua e ininterrupta de Selênio pode causar uma carência Induzida de Enxofre, mineral essencial para a formação de aminoácidos sulfurados, fundamentais para a formação do casco”.

Há aproximadamente 03 anos, este cavaleiro oferecia, ininterruptamente, um suplemento a base de Selênio e Vitamina E, independente do nível de atividade dos animais.

Foi suspenso o fornecimento deste Suplemento por 15 dias e somente oferecido aos animais em períodos onde a atividade física é mais intensa. Claro que esta atividade mais intensa ocorre na maior parte do ano, mas no chamado período de férias do animal, onde a atividade deve ser somente reduzida e não interrompida, não ocorre o fornecimento deste suplemento, além de um período de redução da atividade entre as provas e competições.

Retornando ao CT após 06 meses não ocorreram mais casos de início de Laminite, onde a dieta dos animais foi adequada ao nível de treinamento, inclusive o fornecimento dos suplementos.

Claro que não podemos afirmar com certeza absoluta, indiscutível, se foi o Selênio que causava esta patologia, mas, eliminado-se isto como causa, eliminou-se o problema, portanto....


André Galvão Cintra
MV, Prof. Esp.
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A Importância das Fibras na dieta dos Equinos

Um mínimo de aporte alimentar de fibras é indispensável ao cavalo a fim de assegurar, ao mesmo tempo, uma perfeita higiene mental, uma fonte de lastro (ligada à porção indigestível que garante a limpeza digestiva) e um aporte energético.

É fundamental ter em mente que o cavalo é um animal herbívoro, que se alimenta especialmente de vegetais, normalmente chamados de volumosos, ou simplesmente “verde”.

Para preservar o equilíbrio psicológico e neurovegetativo do cavalo, é importante a manutenção de uma quantidade mínima de 5 kg de Matéria Seca (alimento sem água) por dia por animal (de 500 kg), em manutenção ( o que equivale a aproximadamente 5,5 a 6 kg de feno ou 16 a 18 kg de capim fresco).

A ocupação alimentar é para o cavalo um fator de tranquilização. Por isso as fibras, que aumentam a duração da ingestão e da digestão dos alimentos, são tão importantes para a integridade do cavalo.

O aparelho digestivo do cavalo possui particularidades onde são exigidos altos teores de fibras na dieta para que ele possua uma ótima digestão.

Em primeiro lugar, o estômago do cavalo é relativamente pequeno em relação ao restante do aparelho digestivo, o que o obriga a se alimentar por longos períodos (cerca de 15-18 h por dia) em regime de pastagem. A capacidade estomacal é de apenas 9% do volume total, isto é, se o volume total do aparelho digestivo tiver capacidade para 130 litros (média para um cavalo de 500 kg), o estômago terá capacidade para apenas 12 litros de alimento, incluindo sucos gástricos, gases e o próprio alimento. Esta “pequena” capacidade do estômago limita consideravelmente a ingestão de concentrados (rações) que não possuem as denominadas fibras longas, essenciais ao bom funcionamento do aparelho digestivo do cavalo.

As rações concentradas, devido às suas características, principalmente de fibras mais curtas, são digeridas principalmente no estômago e porções iniciais do Intestino Delgado, tendo um baixo aproveitamento nas porções finais do aparelho digestivo (ceco e cólon).

O limite de ração na dieta é de 2,5 kg por refeição, sendo o ideal ao redor de 1,5 a 2,0 kg (cavalo de 500 kg de peso). Havendo necessidade de complementar a dieta com volume superior, devemos administrar em várias refeições ao dia (ex.:para 6,0 kg diários, são necessárias 03 a 04 refeições; havendo necessidade de um maior volume de ração, devemos fracionar mais ainda ou procurar rações de melhor qualidade), para evitar quadros de cólicas, tão traumáticos para o animal.

As necessidades de fibras longas na alimentação do cavalo são especialmente para o bom trânsito do alimento através do aparelho digestivo. Fibras longas são aquelas provenientes de volumosos não triturados em pequenas porções, isto é, para uma boa digestão do cavalo, devemos administrar o alimento na forma mais natural possível.

O efeito de lastro das fibras possui uma relação inversa à sua digestibilidade. As fibras indigestíveis estimulam o peristaltismo (movimento de alças intestinais), contribuindo fortemente para evitar indigestões e autointoxicações.

Os alimentos volumosos têm sua digestão essencialmente na porção final do aparelho digestivo (ceco e cólon), local denominado de câmara de fermentação, pois é onde ocorre uma ação mais intensa da flora intestinal, digerindo o volumoso, aproveitando mais intensamente seus nutrientes (Ácidos Graxos Essenciais - fonte energética -, proteínas e minerais).

A quantidade e a qualidade das fibras na alimentação do cavalo é determinante para o bom funcionamento deste órgão digestivo, cuja capacidade é de 70% do volume total (90 litros para um cavalo de 500 kg).

A consistência das fezes do cavalo, principal indicador da saúde digestível do animal, está diretamente ligada ao teor de fibra na alimentação.

Capins muito novos, recém rebrotados ou plantados, normalmente provocam quadros de diarréias leves devido aos baixos teores de fibra em sua composição.  O mesmo ocorre com uma alimentação muito rica em concentrado (rações, milho, trigo, etc., superior a 50 % da dieta total), onde as fezes ficam semelhantes às de vaca, pastosas, sem consistência firme, indicando um baixo aproveitamento dos alimentos.

Por outro lado, volumosos muito secos também podem causar quadros de desconforto digestivo devido a uma aceleração exagerada do peristaltismo, devido ao elevadíssimo teor de fibras indigestíveis na dieta.

Uma boa consistência de fezes, nem pastosas nem ressecadas, indica que o alimento ficou tempo suficiente no aparelho digestivo para ter seus nutrientes aproveitados ao máximo pelo animal.

É sempre conveniente ajustar os aportes alimentares em fibras quanto à sua taxa e natureza, para assegurar conjuntamente uma boa digestibilidade e uma excelente higiene digestiva.

As taxas são variáveis em função da categoria em que se encontra o animal: reprodução, crescimento, trabalho ou manutenção.

Os alimentos industriais (rações concentradas) são relativamente pobres em celulose (fibras) e devem ser considerados como um complemento das forragens volumosas.

As necessidades mínimas de fibra bruta são estimadas em 15 a 18% da dieta total.

Cada categoria possui necessidades diferentes, sendo algumas mais exigentes que outras, principalmente no que diz respeito a energia, proteína, vitamina e minerais. Para se suprir estas necessidades, não é possível a utilização exclusivamente de volumosos, pois a capacidade de ingestão do cavalo é inferior às suas necessidades, devido ao alto grau de especialização e seleção que o homem impôs ao cavalo. Por isso é que devemos utilizar as rações concentradas para complementar as necessidades do cavalo.

Esta complementação não deve ultrapassar 55% do volume total de alimento ingerido por dia por animal, e deve ser adequada às suas reais necessidades.

Lembramos que a relação volumoso/concentrado deve variar conforme a qualidade do volumoso e também do concentrado: quanto melhor a qualidade de um, menor será a quantidade de outro. Devemos sempre priorizar um concentrado de melhor qualidade para que possamos reduzir consideravelmente sua quantidade.

            Na Tabela abaixo, os níveis mínimos, máximos e ideais de Fibra na Dieta dos Equinos.

Tabela 1: Necessidade em Fibras do Cavalo (%/dia)

Ótimo Mínimo Máximo
Fibra Bruta (FB) 17 15 30
FDN 20 18 30
FDA 13 10 20


FDN: Fibra Detergente Neutro (fibras solúveis)
FDA: Fibra Detergente Ácido (fibras insolúveis)


André Galvão Cintra
MV, Prof. Esp.
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Genética e Treinamento de Cavalos de Competição

A Performance Esportiva é fruto de 03 fatores: GENÉTICA x TREINAMENTO x ALIMENTAÇÃO.

Neste artigo vamos ressaltar os dois primeiros fatores, pois a alimentação merece um destaque à parte.

1.  GENÉTICA:

Feita pelo homem para adaptar o cavalo às suas necessidades e desejos. Como por exemplo, o cavalo Quarto de Milha, selecionado para a distância de 402 metros, imbatível nesta corrida, ou nas provas de rédeas e trabalho; os cavalos Mangalarga Marchador, selecionados pela sua comodidade; os cavalos Anglo-Árabe selecionados pela sua resistência e leveza em transpor obstáculos; os animais de tração com uma estrutura e força invejáveis, etc.

Esta genética é a que procura, através de seleção de exemplares característicos, transmitir determinados genes à sua descendência.

Nos animais de esporte, mais especificamente, estes genes são os que determinam a predominância dos tipos e qualidades das fibras que predominam no animal.

O primeiro tipo de fibra, de contração lenta, tipo I, é um trabalho essencialmente aeróbico (como o enduro), utilizando-se lipídeos como principal fonte de combustível, oriundo principalmente de reservas corpóreas e um pouco da alimentação diretamente. O principal sub produto da queima de combustível é o CO2 com baixa produção de calor.

Para animais de trabalho anaeróbico de duração mais longa, onde se mescla com aerobismo (como o salto), predominam as fibras rápidas do tipo IIA que utilizam glicídios como fonte energética e um pouco de reserva corpórea. Além disso, o principal sub produto da queima de combustível é o CO2 com baixa produção de calor.

Para animais de trabalho essencialmente anaeróbico (como os quarto de milha e Puro Sangue Inglês), predominam as fibras rápidas do tipo IIB, que utilizam glicídios como principal fonte energética e muito pouco de reserva corpórea. Além disso, o principal sub produto da queima de combustível é o ácido lático com alta produção de calor.

Mas o trabalho da genética se encerra no momento em que uma égua emprenha de um garanhão, porém ele é fator limitante essencial para determinar o tipo de trabalho e a intensidade do esforço que o animal selecionado suporta.


2.   TREINAMENTO:

O treinamento de cavalos para esporte é específico para cada esporte e deve ser delegado a profissionais especializados. Alguns cuidados gerais devem ser tomados para que se possa alcançar a melhor performance e grande longevidade (o cavalo compete até idade mais avançada).

A base do treinamento deve ser buscar potencializar as características genéticas do animal, além, é claro, da preocupação com o esporte a ser competido. Isto é, para cavalos de explosão, como puro sangue inglês e quarto de milha, o trabalho deve ser feito priorizando-se as fibras de contração rápida, que utilizam principalmente glicose como fonte energética, sendo um trabalho principalmente anaeróbico. Desta forma, o treinamento destes animais deve ser intenso, porém por um curto espaço de tempo, e não por duas a três horas diárias. Ao se trabalhar estes animais por um longo tempo diariamente, começa-se a priorizar a utilização de uma fonte energética, como lipídeos, que não será disponível na competição, assim como estimulará as fibras lentas, não utilizada em trabalho de explosão.

Da mesma forma ocorre com os animais que trabalham por mais tempo, onde o treinamento deve ser condizente com o tipo de trabalho a ser executado.

Entretanto, para uma boa saúde mental do animal, para um ótimo equilíbrio psíquico, sempre deve-se alternar, ao menos uma vez por semana, o tipo de trabalho executado. Se o cavalo é de explosão, onde o treinamento diário é essencialmente no picadeiro, devemos realizar um trabalho de exterior de 60 a 90 minutos uma vez por semana. E claro que, para animais de marcha e enduro, onde o trabalho de exterior é priorizado, uma vez por semana realizar um trabalho de picadeiro é bastante interessante.

A relação cavalo e cavaleiro deverá ser intensa, porém jamais um cavaleiro inexperiente deverá trabalhar um cavalo inexperiente. O que um não tem de experiência, o outro deve ter.

O principal efeito do treinamento no cavalo deve ser um aprendizado psicológico, com condicionamento físico gradual, ensinando ao cavalo o que, quando e como fazer.

Antes do treinamento, a doma deve se bem feita e iniciada após os 36 meses de idade, quando as estruturas do cavalo já estão bem consolidadas.

Deve-se primordialmente conquistar o cavalo e não subjugá-lo.

Após a doma, iniciar trabalhos de adestramento básico é muito importante para que o cavalo aprenda a responder rapidamente aos comandos do cavaleiro.

Para qualquer esporte, o cavaleiro deve ter uma iniciação de equitação fundamental para saber quando e como enviar os comandos ao cavalo de forma que ele responda rapidamente.

Deve-se iniciar o treinamento com trabalho cerca de 03 vezes por semana, 20-30 minutos diários e ir aumentando gradativamente.

O treinamento mínimo para competição deve ser de 18-24 meses, dependendo das condições do animal.

Este período mínimo de treinamento é devido à adaptação fisiológica que as estruturas do cavalo devem ter para suportar uma competição, e este período de adaptação das estruturas é variável:

·      Pulmão e Coração: 3 meses de treinamento;

·      Músculos: 5 a 6 meses de treinamento

·      Tendões, Ligamentos e Articulações:  8 a 12 meses de treinamento.

·      Ossos: Até 03 anos de treinamento

A grande dificuldade de se aguardar o período necessário para se iniciar a competição, é que os parâmetros utilizados para observarmos se o animal está em bom estado atlético é a observação de batimento cardíaco, freqüência respiratória e musculatura, que se adaptam rapidamente às condições de competição. Enquanto que, as estruturas que sofrem alto impacto em uma competição (tendões, ligamentos e articulações) demoram de um a três anos para estarem aptas.

Respeitando-se os limites do cavalo, que a própria natureza lhe impõe, teremos um animal apto a competir por muito mais tempo, até os 20 anos de idade ou mais, desde que, é claro, procuremos também uma alimentação adequada por toda a vida, mas isso já é outra história.


André Galvão Cintra
MV, Prof. Esp.
Presidente ABCC Bretão
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A Linhaça na Alimentação dos Eqüinos

Alimento perfeito ou equilíbrio perfeito entre alimentos?

O que se deve buscar para a dieta do cavalo?

Alimento perfeito não existe, mas equilíbrio perfeito de alimentos é o que se deve almejar para um melhor resultado na criação ou performance dos cavalos.

Muito se tem falado a respeito do uso da linhaça na alimentação dos eqüinos.

Como a maioria dos grãos, a linhaça é um ótimo complemento a ser utilizado na alimentação do cavalo, desde que seu uso se justifique e seja feito com critério e avaliação cuidadosa das necessidades reais do animal.

A linhaça pode ser utilizada de três formas: grão integral, farinha e óleo.

O grão integral é tradicionalmente utilizado em pequenas quantidades, 20 a 50 g diários ou mesmo duas vezes por semana, com o intuito de se prevenir cólica.

Cerca de 95% das cólicas são ocasionadas por um erro de manejo. Isso quer dizer que, adequando-se o manejo às reais necessidades do cavalo, ele dificilmente terá cólica (chance de 5%). Portanto, administrar um “preventivo” para cólicas na dieta diária, somente se justifica se o manejo estiver errado. E manejo errado, não se justifica.

Além disso, esta linhaça em grão somente tem uma ação efetiva se administrada umedecida, pois a casca do grão é extremamente dura, dificultando sua ação laxativa. O problema está em que quando se umedece o grão de linhaça este libera ácido prússico (cianídrico) que é altamente tóxico para o cavalo se administrado em quantidades elevadas. O ácido prússico impede a absorção de oxigênio pelo organismo, levando à morte súbita.

Já a linhaça oferecida sob a forma de farinha ou óleo pode trazer alguns benefícios bastante interessantes ao animal, desde que obedecidas às recomendações iniciais.

A linhaça é um alimento muito rico em ômega 3, um ácido graxo essencial que, juntamente com o ômega 6, é responsável por uma série de respostas do organismo a agressões.

Um equilíbrio entre os ácidos graxos ômega 3 (ácido alfa-linolênico, ácido eicosapentanóico e ácido docosahaxanóico, de baixo potencial inflamatório) e dos ácidos graxos ômega 6 (ácido linolêico e ácido aracdônico, de alto potencial inflamatório) leva a uma resposta equilibrada do organismo, trazendo benefícios como:


  • Abrandamento de reações inflamatórias e alérgicas indesejáveis, melhorando a resposta imunológica.
  • Para potros em crescimento funciona como auxiliar no desenvolvimento neurológico.
  • Para éguas em gestação auxilia no desenvolvimento fetal e na lactação, aumentando a quantidade do leite.
  • Observamos ainda restabelecimento do brilho e da cor da pelagem, bem como a saúde da pele.
  • Em cavalos de esporte e trabalho aumenta a energia disponível, levando a uma recuperação muscular mais rápida após exercícios.
  • Promove ainda prevenção de distúrbios circulatórios e cardiovasculares além de ser excelente auxiliar no tratamento de laminites, artrites e artroses e miopatias.


A maioria dos grãos presentes na dieta tradicional do cavalo são muito ricos em ômega 6, propiciando um desequilíbrio na relação ômega 3/ômega 6.

Este desequilíbrio pode ser atenuado através da administração criteriosa e equilibrada da linhaça sob a forma de farinha ou óleo na dieta do animal.

A quantidade de farinha de linhaça a ser administrada, sempre como complemento à dieta diária, pode variar de 100 g a 400 g para cavalos saudáveis, podendo chegar a até 700 g diários para animais debilitados.

O óleo de linhaça deve ser prensado a frio, pois o refinado volatiliza os ácidos graxos, perdendo o benefício a que se propõe com seu uso.

Mas a linhaça não é somente fonte de ômega 3 e 6. É um alimento rico em energia, rico em proteína (a farinha chega a 35% de proteína bruta), e como toda matéria prima, não é equilibrada em vitaminas e minerais. Portanto, seu uso de forma indiscriminada e abusiva, ou mesmo como alimento único é mais prejudicial que benéfico ao animal.

Excesso de energia na dieta causa timpanismo, diarréias, queda do tônus digestivo levando a contrações e possíveis cólicas, dilatação do ceco, degeneração cardíaca, hepática e renal, dismicrobismo e laminite.

Excesso de proteína na dieta causa uma série de distúrbios como enterotoxemia, problemas hepáticos, emagrecimento, problemas renais, má recuperação após o esforço, problemas de fertilidade em garanhões, transpiração excessiva, cólicas, timpanismo e dismicrobismo.

O desequilíbrio vitamínico mineral leva a distúrbios de absorção de nutrientes além de poder proporcionar doenças carenciais ou por excesso de um ou outro nutriente, com conseqüências desagradáveis a médio prazo.

Portanto, visto que, apesar dos benefícios reais de seu uso, a linhaça também pode proporcionar problemas quando de seu uso incorreto, devemos pensar seriamente em quando e como utilizá-la.

Uma dieta correta, onde se privilegia o volumoso de boa qualidade (feno ou pastagem de gramíneas), com água fresca e limpa e sal mineral específico para cavalos à vontade, complementados com concentrado equilibrado e de origem idônea, pode ainda, se necessário, ser suplementada com a farinha de linhaça se assim o animal o exigir.

Mas jamais como concentrado único, pois ela por si só, não é equilibrada.

Acima de tudo, não prejudique o animal.


André Galvão Cintra
MV, Prof. Esp.
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Alimentação de Éguas Receptoras

Uma das principais causas de infertilidade das éguas reprodutoras está ligada aos desequilíbrios nutricionais. Cerca de 80% dos problemas de infertilidade, de uma forma ou de outra, podem ser atribuídos a uma alimentação desequilibrada.

Uma alimentação equilibrada permite a uma égua receptora estar com status corporal ótimo, nem obesa, nem magra em demasia, de forma que seu ciclo estral seja bem definido, com boa formação de corpo lúteo que lhe permitirá manter uma gestação com bom desenvolvimento embrionário e fetal. Mas, antes de tudo, uma boa alimentação de receptoras no período que antecede a concepção, lhe permitirá entrar no cio regularmente e mesmo responder a uma terapia hormonal de forma eficaz, fator preponderante em uma transferência de embrião.

A regulagem do sistema hormonal e o bom funcionamento do sistema reprodutivo de uma égua receptora (assim como de todos os sistemas do organismo) dependem fundamentalmente de um equilíbrio nutricional proporcionado a estas éguas durante toda sua vida reprodutiva.

O fornecimento de quantidade adequada e equilibrada de proteína, energia, vitaminas e minerais, mesmo para um animal em manutenção, é fundamental para que a égua tenha um bom desempenho reprodutivo.

As necessidades de uma égua reprodutora vazia e até o 8º mês de gestação são semelhantes às necessidades de um animal em manutenção, isto é, energia baixa, de 16,4 mcal por dia (animal de 500 kg de peso), proteína bruta de 820 g por dia, mas de excelente qualidade com boa quantidade de aminoácidos disponíveis e quantidades mínimas, mas suficientes, de vitaminas e minerais, estes mais do que essenciais ao bom funcionamento hormonal e fisiológico de qualquer organismo. Isso é facilmente obtido com uma pastagem de boa qualidade e uma boa suplementação com sal mineral específico para eqüinos e, eventualmente, uma suplementação com ração de boa qualidade.

Porém, na prática, não é isso o que observamos. Como é necessária uma quantidade muito elevada de éguas para um programa de transferência de embriões, e para facilitar o manejo estas devem ficar próximas do local onde será efetuado o processo, em geral os proprietários mantêm estas éguas em uma pastagem de baixa qualidade, superlotadas, muitas vezes com quantidades de alimento aquém das necessidades mínimas do plantel. E para piorar, eles “suplementam” com um farelinho de trigo e eventualmente misturado a um rolão de milho ou quirera, ou ainda com ração de baixíssima qualidade, para baratear os custos. Isto acarreta um grave desequilíbrio nutricional que certamente prejudicará todo o processo de transferência de embriões.

Temos então a chamada “economia burra”, onde economizamos por um lado e gastamos muito mais por outro, afinal serão necessários mais coletas e transferências para o sucesso de um embrião transplantado.

O grande erro que se comete é pensar que estes animais, por serem éguas de descarte de outros plantéis, de serem de baixo valor zootécnico, não devem ser bem tratados. Enquanto a égua doadora, grande campeã da raça, de alto valor financeiro e zootécnico recebe ração de primeiríssima qualidade em grande quantidade, capim e feno do melhor, além de diversos suplementos, a receptora recebe o que há de pior na propriedade, ficando com os piores pastos e a pior suplementação.

A realidade deveria ser justamente o contrário. Uma égua doadora, se não está em campanha esportiva, tem necessidades muito menores do que a receptora, afinal de contas, ela deve simplesmente estar em estado nutricional de manutenção o tempo todo, apenas para gerar o embrião, com uma alimentação simples e equilibrada.

Quando falamos de alimentar uma égua em reprodução, jamais devemos pensar no animal em si, de sua qualidade e potencial genético, de sua campanha e de sua performance em pista, devemos sim pensar em quais são suas reais necessidades nutricionais.

As necessidades diferenciais de uma égua reprodutora são totalmente voltadas para o produto que ela carregará em seu ventre, afinal de contas, para ela, o mínimo para manutenção é suficiente. Mas, a partir do momento em que ela carrega um potro em seu ventre, este possui necessidades específicas que devem ser adicionadas à alimentação da égua para que o potro possa se desenvolver corretamente, necessidades estas que devem ser supridas por toda a gestação até o desmame do potro.

Um dos maiores riscos do sucesso da Transferência de Embrião está na alimentação de éguas receptoras, muito negligenciada pela grande maioria dos plantéis brasileiros.


André Galvão Cintra
MV, Prof. Esp.
Presidente ABCC Bretão
andre@vongold.com.br
www.vongold.com.br

A Escolha do Melhor Capim para Eqüinos

A pergunta que todos sempre fazem e que não é tão simples de se responder é qual o melhor capim para os eqüinos.

Os eqüinos são, pela sua natureza e evolução animais herbívoros, isto é, têm como alimentação fundamental volumoso, que pode ser de origem de gramíneas ou leguminosas.

Esse volumoso deve ser fornecido relativamente à vontade, deve ser de boa qualidade e adequado às necessidades da categoria a que o animal pertença, quer seja manutenção, crescimento, reprodução ou trabalho.

Os eqüinos têm uma alta capacidade adaptativa às mais diversas variedades e tipos de volumosos.

Cavalos que evoluíram em regiões com pouca qualidade e variedade de volumosos podem se adaptar à ingestão de alimentos lenhosos, de baixa qualidade nutritiva. Da mesma forma, os cavalos Pantaneiros se adaptaram à ingestão de ervas submersas, tendo a capacidade de capturar e aproveitar os alimentos que ficam boa parte do ano embaixo d’água, assim como os cavalos Lavradeiro de Roraima, criados a campo em uma região com grandes alternâncias climáticas, que em determinadas épocas do ano têm sua alimentação rarefeita.

Podemos oferecer ao cavalo uma grande variedade de alimento volumoso que ele, se adaptado, irá aproveitar bem os nutrientes. Essa adaptação dá-se através de gerações de animais vivendo na mesma região e que, para sobreviver, devem se alimentar do que está disponível.

Entretanto, essas formas de alimentação não são as mais comuns à grande maioria dos eqüinos do Brasil.

Além disso, as exigências das criações eqüinas nos dias de hoje, quando se valoriza animais de grande porte, onde se deseja um potro com crescimento diferenciado, grande massa muscular, com elevado potencial para salto, resistência, beleza, etc., obriga-nos a oferecer ao cavalo alimentos de qualidade superior, pois somente assim nossas exigências serão cumpridas.

Claro que se ofertarmos ao cavalo alimentos “comuns”, sem grandes diferenciais, ele irá sobreviver, a égua irá gerar potros, porém esses potros serão de padrão de estatura e desenvolvimento inferior se ele tivesse recebido um alimento diferenciado, assim como o cavalo de esporte poderá realizar a prova, porém dificilmente terá destaque entre outros que sejam alimentados adequadamente.

Desta forma, não podemos alimentar, os cavalos de qualquer forma, mas sim procurar oferecer-lhe alimento volumoso de qualidade superior.

O Brasil é um país dito continental, isto é, possui dimensões de tal forma que mais parece um continente que um país. Isso gera diversidades geográficas, climáticas, populacionais, etc. o que faz com que as ofertas e necessidades de determinada região sejam diferentes de outras regiões em outro extremo.

Por exemplo, animais criados na região Sul do país, com clima temperado, aonde chega a nevar em algumas épocas do ano, possuem necessidades diferentes de animais criados na região Nordeste, com clima tipicamente tropical, onde 23 graus de temperatura é considerado frio.

Da mesma forma, culturas cultivadas em clima temperado, com solo de ótima qualidade, índice pluviométrico constante são diferentes de culturas cultivadas em clima tropical, com solo de baixa qualidade nutritiva para a planta e com índice pluviométrico que oscila entre a seca por alguns meses e chuvas intensas em outros, como ocorre no Sul e Nordeste, respectivamente.

Criadores e proprietários de cavalos constantemente questionam qual o melhor capim para cavalo, independente da região onde se cria. Não se pode responder a essa questão dizendo que o melhor capim é esse ou aquele.

O melhor capim para cavalo começa com aquele que seja bem adaptado às condições climáticas da região. Que seja resistente à seca e pouco exigente em solo para a região Nordeste. Que seja resistente à geada e ao frio e tolerante a solo úmido, para grande parte da região Sul. Dificilmente o mesmo capim tolera esses extremos.

Desta forma, devemos buscar o auxilio de um técnico local, um agrônomo da Casa da Agricultura, da CATI, EMATER ou órgãos semelhantes que possa auxiliar na escolha do melhor alimento para cavalos.

Claro que existem alguns requisitos básicos para a escolha deste capim. Deve possuir excelente palatabilidade para os eqüinos, tolerar pisoteio se for para pastagem, ou tolerar cortes freqüentes se for para capineira ou campo de feno; deve possuir teor adequado de proteína, entre 8 e 11% e possuir valores de fibras adequados para o bom trânsito intestinal nos eqüinos.

O cavalo possui necessidades mínimas em fibra para garantir a integridade física e psicológica. Integridade Física para suprir as necessidades mínimas do cavalo que lhe garantam um aporte de nutrientes suficientes para desempenhar as funções a que se destinam. Integridade Psicológica por garantir um tempo de ocupação mínimo, próximo ao que o animal tem quando em liberdade, entre 13 e 16 horas. Essas fibras são compostas de fibras solúveis, que fornecem nutrientes essenciais ao animal e fibras insolúveis, essenciais para o bom trânsito do alimento no aparelho digestivo e para a boa formação das cíbalas (fezes do cavalo). Porém o teor de fibras insolúveis não deve ser superior a 18% da dieta, pois isso pode acarretar problemas aos animais, desde baixo aproveitamento do alimento até cólicas. O teor de fibras também está relacionado ao manejo do capim, isto é, o momento em que se disponibiliza esse ao animal. Se for muito novo, possui pouco teor de fibra, se velho, a qualidade da fibra é ruim.

Desta forma, os alimentos volumosos para eqüinos devem também levar em consideração o ponto de corte ideal, quer seja para o pastejo, quer seja para o corte propriamente dito, para fenação ou capineira.

A escolha do capim então deve ser feita baseada nesses fatores: adaptabilidade geo-climática, palatabilidade, teor de proteína, teor de fibra total e teor de fibra insolúvel.

Além disso, outra condição fundamental para o plantio e manejo de uma pastagem ou capineira para eqüinos é lembrar que “Pasto é Cultura”, isto é, possui exigências de solo, adubação e água como qualquer cultura; para ser de boa qualidade, deve ser implantada após a adequada correção do solo, adubação especifica para cada variedade e na época correta, com índice pluviométrico adequado para a boa implantação no solo.

Abaixo alguns exemplos de capins preferenciais para eqüinos, mas que devem ser avaliados conforme adaptabilidade regional.

· Coast-cross: de excelente palatabilidade, adaptabilidade em diversas condições, valores adequados de proteína e fibra. De fácil manejo tanto para pastejo, como para campo de corte. É de implantação mais complicada por ser o plantio apenas por mudas.

· Tifton: Variação do Coast-cross, com excelente palatabilidade, adaptabilidade em diversas condições, valores adequados de proteína e fibra. O manejo deve ser mais atento, pois passa do ponto de corte com mais facilidade que o coast-cross. É de implantação mais complicada por ser o plantio apenas por mudas.

· Jiggs: Variação dos anteriores, com excelente palatabilidade, adaptabilidade em diversas condições, valores adequados de proteína e fibra. De fácil manejo, pois possui menos talo, sendo mais difícil passar do ponto de corte. Produz menos massa por área. É de implantação mais complicada por ser o plantio apenas por mudas.

· Rhodes: Possui ótima palatabilidade, adaptabilidade variável, bons valores de fibra e proteína. De fácil manejo e implantação, pois o plantio é por sementes.

· Colonião: Variedade mais conhecida dos capins tipo Panicum, com boa aceitação pelos animais, com proteína mediana. De fácil manejo e implantação, sendo o plantio por sementes ou mudas.

· Aruana: Variedade de menor porte dos capins tipo Panicum (como Colonião), com ótima aceitação pelos animais, bons valores nutritivos, com proteína mediana. De fácil manejo e implantação, sendo o plantio por sementes.

· Tanzânia: Variedade de menor porte dos capins tipo Panicum (como Colonião), porém maior que o aruana, com ótima aceitação pelos animais, bons valores nutritivos, com proteína mediana. De fácil manejo e implantação, sendo o plantio por sementes.

· Capim Elefante: Nome genérico dos capins de grande porte, tendo como variedades o napier e cameroum, entre outros. São ótimas opções como capineira, sendo restrito o uso como pastejo pelo seu porte elevado. Possuem bons níveis nutritivos, se cortados no ponto certo, entre 1,60 e 2,50 m de altura. Se a planta estiver com menos de 1,60m de altura, possui teores muito baixo de fibra, podendo causar diarréia. Se estiver com mais de 2,50m de altura, possui teores muito elevados de fibra insolúvel, com baixo aproveitamento dos nutrientes, podendo ainda causar cólicas.

Muitos outros tipos e variedades de capins ainda podem ser utilizados, como Pangola, Capim Gordura, Jaraguá, Transvala, Ramirez, etc., porém deve-se sempre levar em consideração a adaptabilidade à região, palatabilidade para eqüinos e seu valor nutritivo antes de sua escolha.


André Galvão Cintra
MV, Prof. Esp
Presidente ABCC Bretão
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Complementação Alimentar Equilibrada dos Cavalos

Para alimentação adequada do cavalo, devemos respeitar sua natureza, suprindo suas necessidades básicas.

É fundamental ter em mente que o cavalo é um animal herbívoro, que se alimenta especialmente de vegetais, normalmente chamados de volumosos, ou simplesmente “verde”, ou mesmo forrageiras. Estes podem ser fornecidos sob a forma gramíneas frescas, feno ou mesmo silagens, e devem representar no mínio 50% da dieta do cavalo, independente da categoria a que pertence.

Após termos suprido as mínimas necessidades para manutenção do cavalo, aí sim, conforme atividade a que vamos submetê-lo, seja um potro em crescimento, égua em reprodução ou cavalo de esporte e trabalho, devemos oferecer-lhe os complementos de uma alimentação, para que possamos atingir os níveis Energéticos e/ou Protéicos suficientes para suprir estas novas necessidades, mas sempre respeitando sua natureza, valorizando o volumoso.

A Ração na verdade deve ser chamada de complemento corretor, pois esta deve ser sua função: complementar e corrigir as necessidades do animal, que o volumoso disponível não consegue suprir. Ela deve ser equilibrada, oriunda de empresas idôneas para se ter garantia da qualidade do produto.

Existem vários tipos de apresentação de ração: Farelada, Peletizada, Laminada ou Extrusada.

Existem ainda as matérias-primas (aveia, milho, trigo, etc.) que muitos criadores/proprietários de animais oferecem misturado à ração balanceada. Ocorre que estas matérias-primas são, em geral, muito ricas em fósforo (a relação Ca:P pode ser de 1:3 quando o ideal é 1,8:1) o que leva a um desbalanceamento na relação cálcio/fósforo sangüíneo levando a graves problemas como a cara inchada.

Quanto às apresentações de rações industrializadas, não devemos nos preocupar com a aparência do produto (peletizada, laminada ou extrusada), mas principalmente com os níveis de garantia destes produtos.

Tecnicamente falando, um produto extrusado é superior a este mesmo produto laminado e este mesmo produto peletizado. Isto não quer dizer que qualquer produto extrusado é superior a outros, nem que toda ração laminada é superior às peletizadas, mas sim o que determina a superioridade de um produto em relação ao outro são os componentes que constituem esta ração.

O que mais importa na avaliação da qualidade de um produto são seus níveis de garantia, principalmente valores de qualidade de energia e proteína. A qualidade de sua energia também pode ser avaliada através do valor de seu extrato etéreo, que é o valor de gordura de uma ração, onde, se este valor for alto, a qualidade de sua energia, e também de sua proteína, deverão ser elevados.

Existem rações peletizadas no mercado que podem possuir qualidade energética e protéica muito superior às laminadas e extrusadas.

Devemos estabelecer realmente quais as necessidades do cavalo para podermos suprir de forma adequada e obtermos os melhores resultados de performance e também na saúde do animal.

A escolha da ração certa poderá fazer uma enorme diferença no resultado esperado em nossos animais.

Podemos dividir o manejo alimentar dos cavalos em 5 categorias básicas:

1.    Manutenção: Onde as necessidades básicas podem ser supridas simplesmente com volumoso, sal mineral e água. Porém, se formos alimentar nossos animais com feno, por exemplo, o custo tende a ser mais barato se suplementarmos com uma ração de manutenção, com cerca de 10 a 12% de proteína bruta e 2 a 3 % de extrato etéreo. As quantidades não devem ultrapassar 1% do peso vivo do animal, sendo suficiente, muitas vezes, 0,5 a 0,8%. Isto é, para um cavalo de 400 kg de peso, não ultrapassar 4 kg diárias, sendo suficiente 2 a 3 kg, sempre divididos em 2 a 3 refeições.

2.    Éguas em Reprodução: nesta fase, temos 2 sub-fases:

a.    Início da Gestação – 1º ao 8º mês: necessidades semelhantes às de manutenção, onde uma ração com 10 a 12% de proteína bruta e 2 a 3 % de extrato etéreo podem ser suficientes.

b.    Terço Final de Gestação (8º ao 11º mês) e Lactação: Necessidades muito elevadas em relação ao início. A ração já deve ter cerca de 15% de proteína bruta com 3 a 5% de extrato etéreo. A quantidade já deve ser no mínimo 0,9% do peso vivo, podendo chegar a 1,2% no início da lactação. Isto, para uma égua de 500 kg de peso vivo, um mínimo de 4,5 kg de ração eum máximo de 6 kg diários, sempre divididos em 2 a 3 refeições.

3.    Potros em Crescimento: Divididoem 3 fases:

a.    Potro em Lactação: Opotro começa a ingerir alimento sólido ainda ao pé da mãe, logo no primeiro mês de vida. Entretanto, ele se alimenta realmente só de leite até o 3º mês de idade. A partir desta fase, ele começa a se alimentar de volumoso e ração, aliado ao leite. Ainda ao pé da mãe, a alimentação sólida é apenas complementar ao leite, sendo suficiente 1% do peso vivo por dia (1 kg de ração para cada 100 kg de peso vivo), dividido em 2 refeições.

b.    Após o desmame até os 18 meses de idade: Deve-se utilizar uma ração apropriada para potros, com 17 a 19% de proteína bruta e 3 a 5% de extrato etéreo, nessa mesma proporção, 1% do peso vivo em ração, dividido em 2 refeições.

c.    Dos 18 aos 36 meses, deve-se oferecer uma ração com 15% de proteína bruta e 3 a 5% de extrato etéreo, mantendo-se a mesma proporção de 1% do peso vivo em ração, dividido em 2 refeições.

4.    Garanhões: Dividida em 02 fases:

a.    Garanhões em Manutenção: São as mesmas necessidades de um outro animal em manutenção, onde as necessidades básicas podem ser supridas simplesmente com volumoso, sal mineral e água. Caso ofereça uma ração, esta pode ser com 10 a 12% de proteína bruta e 2 a 3% de extrato etéreo. A quantidade não deve ultrapassar 1% do peso vivo do animal, sendo suficiente, muitas vezes, 0,5 a 0,8%.

b.    Garanhão em Monta: Aquias necessidades são bem superiores, especialmente no que diz respeito à energia da ração. Pode-se utilizar uma ração com 10 a 12% de proteína bruta e 3 a 6% de extrato etéreo. As quantidades variam de 0,8 a 1,2% do peso vivo em ração, dependendo da intensidade da monta. Isto é, para um garanhão de 500 kg, em monta leve, podem ser suficientes 4 kg de ração, podendo chegar a 6 kg em monta intensa.

5.    Cavalos de Esporte: Nesta categoria as necessidades são essencialmente energéticas. Proteína de qualidade, mas não em quantidade. A ração pode ter de 11 a 12% de proteína bruta e o extrato etéreo pode chegar a 10%. Quanto maior o extrato etéreo, menor deverá ser a quantidade de ração oferecida (maior energia por kg de produto). As quantidades variam conforme a qualidade da ração e a intensidade do trabalho, de leve e muito intenso. Podem ser de 0,8 a 1,5% do peso vivo em ração.

Algumas dicas fundamentais:

Para cada categoria animal, necessidades diferentes, qualidade e quantidades diferentes de complementos.

Não dê importância excessiva à quantidade de alimento, mas sim à sua qualidade.

Adote o princípio: “Mínimo necessário, não máximo obrigatório”.

Menores quantidades de alimentos por refeição, têm aproveitamento mais eficiente. Evite ultrapassar a oferta de 2 kg de ração por refeição para um cavalo de 500 kg.

Os excessos podem ser tão ou mais prejudiciais que as deficiências.

Devemos sempre levar em consideração as variações individuais de cada animal, tais como, raça, digestibilidade individual e temperamento.

Toda alteração alimentar, de grãos ou concentrados, deve ser lenta e gradual, mínimo de 3 semanas.

Mais de 90% das cólicas em cavalos são causadas por um mau manejo alimentar, que o homem impõe ao animal.

O volumoso deve ser no mínimo, 50% da dieta do animal. Quanto maior o consumo energético do animal, maior a necessidade de se complementar com grãos.

Mantenha sempre água fresca e limpa e sal mineral específico à disposição, qualquer que seja a categoria animal.


André Galvão Cintra
MV, Prof. Esp.
Presidente ABCC Bretão
andre@vongold.com.br
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Potros Órfãos

Um dos grandes mitos da criação de cavalos é referente à criação de potros órfãos. Muitos ainda acreditam que potro que fica órfão, não vai para frente. Esse mito é decorrente do desconhecimento do que é uma boa alimentação para o potro e de como ele deve ser manejado adequadamente desde o final da gestação.

O nascimento do potro é um evento que pode ser natural ou traumático, dependendo das condições da mãe e do meio ambiente.

Uma égua magra demais provavelmente produzirá um potro frágil. Uma égua com excesso de peso terá dificuldade no parto, devido a um estreitamento do canal pélvico pela gordura, o que deverá causar uma dificuldade no parto, provocando anóxia no recém nascido, que obviamente prejudica o novo ser que tenta vir ao mundo. Além disso, uma égua com excesso de peso, assim como a magra demais, tem uma produção leiteira prejudicada, sendo a primeira por acúmulo de gordura em sua glândula mamária, e a segunda por deficiência nutricional para produzir leite.

Na primeira fase do potro, que vai do nascimento até as 18 horas no pós-parto, alguns cuidados iniciais são fundamentais para a sobrevivência do potro.

O potro deve ser limpo pela égua e tentar levantar sozinho, o que ele faz nos primeiros minutos após o nascimento.

Como a maioria dos partos se dá durante a noite, ao amanhecer o potro já deverá estar de pé e mamando o primeiro leite, chamado colostro e de fundamental importância para sua sobrevivência. O colostro é um leite riquíssimo em anticorpos e o aparelho digestivo do potro, até 18 horas após o nascimento, é permeável à absorção destes anticorpos. Após a 18ª hora do nascimento, diminui consideravelmente esta permeabilidade do aparelho digestivo do potro além do leite materno também perder suas qualidades imunológicas.

Para os potros que perdem sua mãe ainda na fase de amamentação, devemos ter alguns cuidados especiais.

Nos casos de óbito da mãe no momento do parto, o potro órfão não terá colostro materno disponível.Deve-se então providenciar, para administração imediata, um colostro de outra égua, que pode ser congelado e reaquecido no momento do fornecimento. Caso não se tenha disponível na propriedade este colostro, deve-se procurar em algum outro haras que possua um banco de colostro para a proteção imediata do potro sob risco de vida para o mesmo.

A alimentação do potro inicia-se já na barriga da mãe, desde o terço final da gestação, continuando através da égua até o desmame.

A partir do desmame devemos ter uma alimentação diferenciada exclusiva para ele, pois a velocidade de crescimento do potro, inicialmente, é muito elevada. Nas raças leves o peso ao nascimento representa 9 a 10% do peso da égua e é dobrado em pouco mais de um mês.

Durante o primeiro mês, o ganho de peso médio ótimo é ao redor 1500 g/dia, podendo atingir 1800 g/dia nos indivíduos muito grandes. O ganho de peso está entre 1200 e 1300 g/dia no 2o. mês e ao redor de 750 g/dia aos 6 meses, havendo variações conforme a raça.

Ao nascer, o potro já apresenta uma altura considerável, onde o potro possui cerca de 60-70% da altura de cernelha de um animal adulto, alcançando 95% de sua altura máxima aos 24 meses e crescimento final máximo aos 60 meses, com pequenas diferenças entre os sexos, sendo a fêmea mais tardia, havendo pequenas variações conforme a raça.

A criação de um potro visa produzir um animal muito bem desenvolvido, sobretudo em termos de estrutura óssea e muscular, sem acúmulo de gorduras de reserva. Procuramos um crescimento ótimo e não máximo como em um animal de abate.

Toda carência ou desequilíbrio da dieta acarreta um atraso ou mesmo uma situação irreversível no desenvolvimento do animal.

Do terço final da gestação até o 3º mês de vida do potro, este se alimenta exclusivamente através de sua mãe. Na gestação obviamente pelos nutrientes recebidos via sanguínea e, no inicio da lactação, através do leite. Até o 3º mês de vida do potro, seu aparelho digestivo não está apto a receber e processar alimentos grosseiros, assim como sua dentição. Desta forma, todo e qualquer alimento que não seja leite ofertado ao potro, vai servir mais como adaptação que propriamente como fonte de nutrientes para o animal. Após o 3º mês de vida já se inicia o aproveitamento de nutrientes de alimentação mais grosseira e fibrosa, estando desta forma, o potro apto a aproveitar os nutrientes oriundos de uma ração concentrada e do volumoso disponível.

Desta forma, no caso de potros órfãos antes do 3º mês de vida se torna imprescindível uma alimentação láctea para propiciar um bom crescimento e bom desenvolvimento do potro.

Há a possibilidade de se utilizar amas de leite (figura 1), que podem ser éguas recém paridas que podem adotar este potro órfão. Elas geralmente aceitam bem o potro. Devemos fazer com que este cheire como a égua, ao menos no início da “apresentação”. Podemos recobrir o potro com fezes, urina, leite, suor ou mesmo fluídos placentários da égua adotiva. A maioria aceita o potro em 24 horas.

Caso não seja possível a utilização de uma ama de leite, podem-se utilizar sucedâneos do leite de égua utilizando-se leite de vaca ou cabra, diluindo-se duas partes de leite para uma parte de água e adicionando-se dextrose (cerca de 2%). O leite de vaca tem um valor mais elevado de gordura e menor teor de proteína, daí a necessidade de se fazer esta mistura. Este leite pode ser oferecido em mamadeira ou em balde (Figura 2), sendo que a maioria dos potros pega bem o balde, facilitando muito o manejo.

Deve-se oferecer uma quantidade próxima daquela que a mãe estaria ofertando, 18 a 20 litros para potros de raças leves e 23 a 28 para potros de raças pesadas, iniciando-se com 14 litros ao nascimento e adicionando-se 01 litro por semana até a quantidade necessária, de 20% do peso do potro em leite.

Nas duas primeiras semanas oferecer a cada 4 horas, dia e noite, e após este período, pode-se dividir o total pelo período diurno (entre 6 da manhã e 8 da noite), até os 4 ou 5 meses, quando o animal será desmamado.

Lembre-se de, a partir do 3º mês de idade, sempre deixar volumoso e concentrado disponível ao animal para que ele possa se adaptar gradualmente a alimentos sólidos.

O não fornecimento de alimentação adequada ao potro órfão em qualquer momento nos 12 primeiros meses de vida compromete, em geral em definitivo, seu crescimento e desenvolvimento.

A partir do 4º mês de idade, dependendo do estado geral do animal e de sua adaptação à alimentação sólida, como volumoso e ração, pode-se iniciar o desmame do potro, reduzindo-se o leite 25% a cada semana, de forma que em 4 semanas o potro esteja totalmente desmamado. Muitas vezes, após as duas primeiras semanas do inicio do desmame, os potros já passam a preferir a alimentação sólida rejeitando o leite, quando se pode então cessar por completo o fornecimento deste leite.

Um procedimento muito importante para o futuro do potro é sua convivência com outros eqüinos desde os primeiros momentos. É fundamental para a boa integridade física e mental do potro que ele possa ter como referencia outros da mesma espécie. São estes que vão ensinar ao jovem órfão o que comer, como se defender e o que é ser um cavalo.


André Galvão Cintra
MV, Prof. Esp.
Presidente ABCC Bretão
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